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Cerveja
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Gose – uma cerveja ressurgida das cinzas

Bom de copo, Histórias da Cerveja

17/12/2018

Poucas cervejas no planeta possuem uma história tão particular e cheia de reviravoltas como as do estilo Gose. Uma sobrevivente em meio à Europa do século XIX e XX, as cervejas do estilo Gose são também uma espécie de prima rebelde, pois não seguiam a Lei da Pureza da Baviera (Reinheitsgebot), promulgada em 1516 pelo duque Guilherme IV da Baviera.

A Gose é considerada uma especialidade da região de Goslar, da Baixa Saxônia, na Alemanha – lugar este que acabou cunhando o nome da cerveja. A Baixa Saxônia, junto com o norte da Alemanha, a Bélgica e atuais Países Baixos acabaram se especializando nas cervejas de trigo ácidas e embora compartilhem um tronco em comum, é importante não confundir esta bebida com a Gueuze belga.

Com um sabor inconfundivelmente salgado, mas ao mesmo tempo azedo e pouco lupulado, a Gose alemã se vira totalmente de costas à Lei da Pureza da Baviera ao adicionar sal e coentro em sua confecção. Com malte de trigo não filtrado e um teor alcoólico que varia entre 4% e 5% ABV, diz-se que esta bebida se manteve viva graças à tradição oral familiar europeia, onde cada família possuía a sua receita e toques específicos.

Originalmente, lá por volta do século 18, as Gose eram produzidas através da fermentação espontânea, mas este processo foi sendo substituído pelo uso de fermentos e bactérias lácticas no século seguinte. Mesmo em Leipzig, cidade importante onde se popularizou a bebida, a Gose nunca gozou de um status elevado. Um dos principais motivos era o seu custo-benefício, geralmente baixo para uma bebida que vinagrava rapidamente se não consumida a tempo.

Preço alto, pouca demanda e vida curta: não bastou uma, mas duas Grandes Guerras Mundiais em solo europeu no século XX para praticamente eliminar este estilo de cerveja da face da terra. Em 1966, com a morte de Guido Pfniser, considerado o último produtor de Gose na Alemanha, nunca mais se ouviria falar desta bebida se não fosse por Lothar Goldhahn.

Um entusiasta dos bons tempos cervejeiros da Alemanha pré-Guerras, Lothar Goldhahn revitalizou um dos principais e mais tradicionais bares de Leipzig, o Ohne Bedenken. Com a ajuda de um antigo funcionário que possuía partes da receita da Bose em mãos e de uma outra cervejaria baseada em Berlim, Goldhahn conseguiu reavivar um estilo praticamente morto em todo o mundo nos anos 1980.

Hoje, com um status de “fênix das bebidas” e um bom público amante de cervejas especiais em todo o mundo, sobretudo na Europa e Estados Unidos, uma cerveja Gose pode ser encontrada ao redor de todo mundo para deleite nosso e dos ancestrais saxões.

Com informação de: Brejas, Mestre Cervejeiro, O Cru e o Maltado, Price Beer e Wikipédia

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Cerveja de Natal

Bom Saber, Curiosidades

10/12/2018

“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, já dizia Jorge Ben no famoso clássico dos anos 60, em País Tropical. Por sorte nossa, as festas de fim de ano, incluindo o Natal e o Réveillon, recaem sobre a época mais quente do ano e podemos tomar a nossa cerveja gelada ou saltar as sete ondinhas sem maiores preocupações. Já nos países do Norte, a situação não é lá tão boa, pois é tudo ao contrário, com o frio reinando justamente nos meses onde aqui guardamos para ir à praia. A solução para aguentar tamanho frio? Mais álcool.

Comumente conhecidas em países de tradição cervejeira como a Alemanha, Bélgica, República Tcheca e até mesmo (hoje em dia) nos Estados Unidos, a “Weihnachtsbier” – literalmente “cerveja de Natal” em português – faz parte da cultura de fim de ano nestes lugares mencionados. Trata-se de uma cerveja especial, geralmente mais encorpada, mais calórica e mais alcóolica, numa espécie de edição comemorativa.

Historicamente, trata-se de uma tradição pagã viking, que comemorava o fim da escuridão e a chegada dos dias mais longos no solstício de inverno do dia 21 de dezembro. Posteriormente incorporada pela Igreja Católica e assimilada ao nascimento de Jesus Cristo, o Natal passou a ser uma das maiores datas comemorativas em todo o mundo Ocidental.

Cada ano, os melhores mestres cervejeiros da Europa e Estados Unidos selecionam o melhor das matérias primas disponíveis e confeccionam, de acordo com o seu local e tradição, a melhor cerveja de natal que lhe couber. A exemplo disso, o festival Kerstbier – a ser promovido entre os dias 15 e 16 de dezembro deste ano na pequena cidade de Essen, na Bélgica – reúne milhares de amantes de cerveja de natal, de mais de 30 países diferentes, todos dispostos a conferir cada um dos quase 200 títulos disponíveis unicamente para esta época fria do ano.

Mas caso a Bélgica e todo este papo de neve em pleno dezembro estejam distantes demais para você, saiba que atualmente existem bons rótulos nacionais, especializados em cervejas de natal, que farão jus a qualquer presente de amigo secreto da família. Uma pesquisa rápida na internet somado a um bom planejamento de delivery garantirão um Natal muito mais divertido, para não dizer mais saboroso e alegre, ao nosso bom e velho 25 de dezembro veraneio, sob muito sol e calor humano.


Com informação de: Kerstbierfestival e Opa Bier

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Lasanha na Cerveja

Beerfood, Receitas Típicas

03/12/2018

No mundo da culinária, nem tudo é o que parece ser. Algumas certezas podem “evaporar” após uma pesquisada no assunto, deixando “queimada” aquela expectativa que nós tínhamos em relação a uma receita. Embora a lasanha seja uma comida tipicamente associada à culinária italiana, tradicionalmente como uma criação da cidade de Nápoles, existem registros históricos medievais que remontam as origens desta massa recheada a outros lugares que não a Itália.

Ainda que o país da bota tenha pego para si a deliciosa responsabilidade de se assumir como a mãe da lasanha, é possível que a própria palavra “lasanha” tenha nascido fora da Itália. Entre diversas teorias que se tem por aí, uma delas afirma que a etimologia da palavra lasanha vem do grego “lásanon”, que se referia à panela onde era servida tal comida. No próprio livro de receitas chamado “Fôrma de Cury”, publicado em 1390, Samuel Pegg – o então cozinheiro oficial do rei Ricardo II – utiliza a expressão “loseyn”, do inglês médio, para se referir a uma receita muito similar ao que se considera hoje por lasanha.

Segundo o portal Wikipédia, à diferença do que se tem hoje presente em qualquer lasanha, o tomate não era um ingrediente originário da receita, uma vez que esta fruta só passou a fazer parte da dieta europeia após a colonização europeia da América, com a chegada de Colombo neste lado do Atlântico em 1492.

Uma comida versátil, podendo ser adaptada a todos os gostos e exigências, na hora de devorar uma pratada desta você vai até esquecer quem é quem na luta pelo reconhecimento desta maravilha em formato de massa em fatia e muito recheio. Com o toque de bechamel e cerveja, você vai se sentir transportado à região da Emília-Romanha com um toque brasileiro.

Lasanha na Cerveja

Ingredientes

  • 15 folhas de lasanha.
  • 500 g de carne picada mista
  • 1 cebola pequena picada
  • Azeite a gosto
  • Sal
  • 1 lata de cogumelos
  • 1 litro de bechamel. (Metade para fazer bechamel de cogumelos e a outra metade para cobrir a lasanha no fim)
  • Queijo mozarela ralado.
  • 1 cerveja clara 269 ml
  • 1 pacote de sopa instantânea de cogumelos.

 

Modo de Preparo

  1. Numa frigideira, ponha um pouco de azeite e refogue a cebola. Quando começar a ficar dourada, junte a carne picada, tempere com sal e refogue bem.
  2. Tape a frigideira com uma tampa para cozinhar mais rápido. Quando estiver bem passada, retire do fogo e reserve tapado.
  3. Abra a lata de cogumelos e reserve metade do liquido da lata e escorra os cogumelos.
  4. Noutra frigideira, ponha azeite e refogue os cogumelos.  
  5. Dissolva o conteúdo da sopa instantânea de cogumelos na cerveja e na água que reservou da lata dos cogumelos, junte esta mistura aos cogumelos que tem na frigideira. Mexa.
  6. Depois de engrossar, junte metade do bechamel 500 ml a este molho de cogumelos e misture tudo de forma a obter um bechamel de cogumelos.
  7. Passe as folhas de lasanha por água quente para amolecerem. Unte um tabuleiro médio próprio para ir ao forno com margarina e disponha no fundo 3 folhas de lasanha.
  8. Por cima, coloque metade da carne picada cozinhada, coloque algum queijo ralado e metade do bechamel de cogumelos. Cubra com mais folhas de lasanha, depois a restante carne, queijo e o resto do bechamel de cogumelos, mais folhas de lasanha por cima.
  9. Termine regando com os 500 ml de bechamel e polvilhando com bastante queijo.
  10. Leve ao forno, pré-aquecido a 180ª durante cerca de 25 minutos.

 

Com informações de: Portal Educação e Wikipédia
Fonte da receita: Receitas na Rede (contém adaptações)

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Do outro lado do mundo: Cerveja de Arroz Japonês

Bom de copo, Histórias da Cerveja

26/11/2018

A regra é clara: de acordo com a Lei da Pureza Alemã, promulgada pelo duque Guilherme IV da Baviera em 1516, a cerveja deve conter apenas água, malte de cevada e lúpulo, correto? Mas, como dizem por aí, as regras são feitas para serem obedecidas e às vezes, quebradas. Por isso não é de se estranhar que, do outro lado do mundo, os japoneses resolveram contornar esta lei medieval alemã e criaram a cerveja de arroz.

Base da tradicional dieta nipônica – conhecida como “washoku” em japonês que entrou na lista do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2013 –, o arroz presente no sushi forma parte da história do Reino do Sol Nascente desde seus tempos mais primordiais. Não é de se estranhar, portanto, que o país produza bebidas alcóolicas à base desse grão, como o famigerado saquê e, por que não, a própria cerveja.

Embora os atuais japoneses dependam cada vez menos do arroz para se alimentarem e prefiram integrar a sua dieta a um mundo globalizado, com outras tantas ofertas de cozinhas internacionais à sua disposição, a tradição e a inovação são duas características clássicas do Japão do século XX e XXI. De acordo com o portal G1, pela abundância do grão e com o intuito de diminuir os níveis de proteína do malte, o arroz passou a ser utilizado na confecção da cerveja japonesa já no século XIX e, com o advento da Segunda Guerra Mundial e a diminuição da produção de cevada, esta curiosa alternativa se tornou cada vez mais presente no copo dos japoneses.

Por ter pouco apreço no mercado internacional e estar relacionada a uma produção mais econômica, as cervejas de arroz nem sempre são bem vistas pelos cervejeiros mundo afora. Mas não se deixe enganar: existem boas opções no mercado que contêm arroz em sua composição. O governo japonês é rígido em relação aos processos industriais: é necessário no mínimo 67% de malte para que a bebida seja considerada uma biru, isto é, cerveja.

Da panela para o copo, uma típica lager de arroz poderá surpreendê-lo(a) por sua suavidade e aspecto dourado brilhante, perfeito para um dia quente de verão que já está batendo na porta do brasileiro neste fim de ano.

Aprenda com um dos povos mais longevos deste planeta e abrace as diferenças na hora de curtir uma gelada. Quem sabe a cerveja de arroz não entra de vez no seu cardápio e faça parte da sua própria lei da pureza comemorativa?

Com informação de: Beeriety, Japan Beer Times, Portal G1, Sushibilidade e Wikipédia

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A origem do Oktoberfest

Bom Saber

12/11/2018

Todo bom amante de cerveja que se preze já sonhou, pelo menos uma vez na vida, poder carimbar o seu passaporte na Alemanha e visitar a maior feira mundial da bebida, também conhecida como Oktoberfest. Mas, uma dúvida que poucos realmente ousam responder é: de onde surgiu esta festa?

Literalmente “festa de outubro” em alemão, a história do Oktoberfest remonta ao casamento do Rei Luís Primeiro da Baviera com a Princesa Teresa Carlota Luisa Frederica Amália de Saxe-Hildburghausen em 12 de outubro de 1810. Através de uma celebração pública nos jardins em frente aos portões da cidade, o local foi rebatizado como “os campos de Teresa” em homenagem à futura rainha, ou Theresenwiesen em alemão – o que explica o motivo pelo qual o Oktoberfest é conhecido pelos habitantes de Munique como Wiesen.

O sucesso foi tão tremendo que resolveram repetir a brincadeira no ano seguinte, em 1811, com algumas atrações públicas inéditas, incluindo a primeira Exposição de Agricultura, e a tradicional corrida de cavalos da região. Com exceção de pouquíssimos anos ao longo desta história bicentenária (como as Guerras Napoleônicas em 1813 e a Primeira e a Segunda Guerra Mundial), a cidade de Munique passou a ser reconhecida regional, nacional e internacionalmente ao longo dos seus anos de existência por causa deste evento.

Apesar do nome, o Oktoberfest é comemorado a partir da metade de setembro até o comecinho de outubro. A mudança foi adotada por conta da instabilidade meteorológica do mês de outubro na Baviera, além de setembro ser um mês relativamente bem mais quente e com dias mais longos que o mês sucessor.

Com proporções absolutamente inacreditáveis, o Oktoberfest do século 21 atrai mais de 7 milhões de visitantes de todo o mundo, reunidos numa área de 420 mil metros quadrados – equivalente a mais de 42 campos de futebol oficiais –, que consomem nada mais nada menos do que 7 milhões de litros de cerveja – ou mais de três piscinas olímpicas da bebida – em apenas duas semanas de festa.

Caso você tenha perdido a comemoração deste ano, é possível já se programar para a farra do ano que vem. Em 2019, o Oktoberfest de Munique será celebrado entre os dias 21 de setembro e 06 de outubro. O site oficial do festival  oferece a programação completa do próximo evento, incluindo a venda de pacotes especiais, com atrações exclusivas.

Dos campos da rainha para o mundo: um brinde a todos os cervejeiros.

 

Com informação de: Delaware Saengerbund and Library Association, Prefeitura de Munique e Wikipédia

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Conheça 5 bares ao redor do mundo mais antigos que o próprio Brasil

Bom Saber, Curiosidades

29/10/2018

Todo bom cervejeiro que se preze sabe que a arte de confeccionar uma boa cerveja é muito antiga. Mas se tem outra coisa que um bom cervejeiro entende ainda melhor, é justamente o respeito que nós, enquanto consumidores, temos por uma boa receita e a uma boa tradição na hora de entornar uma gelada.

Seja no boteco, num bistrô grã-fino ou naquela barraquinha na frente para a praia, cada qual tem um bar para chamar de seu. Por isso, hoje apresentamos cinco bares cuja tradição perdura há mais de 300, 500 ou – pasmem! –  até mesmo há mais de 1000 anos.

Confira abaixo 5 bares e restaurantes mais antigos que o próprio Brasil ao redor do planeta:

  • St. Peter Stiftskulinarium

        Localizado em: Salzburg, Áustria
        Idade: +1.200 anos

Curiosidade sobre o local: com o posto do restaurante mais antigo de toda a Europa, o primeiro documento que se tem registro sobre o local data do ano de 803. Incrustrado na Abadia de São Pedro de Salzburg e com uma majestosa entrada no estilo barroco, sentar-se em uma das onze mesas do local é garantia de uma viagem no tempo.

  • Sean’s Bar

         Localizado em: Athlone, Irlanda

         Idade: +1.100 anos

Curiosidade sobre o local: detentor do recorde mundial do bar mais antigo de toda a Europa ainda em funcionamento, o atestado de ouro do Livro Guinness dos Recordes confere à pequena cidade de Athlone, com pouco mais de 20.000 mil habitantes no interior da Irlanda, uma atração peculiar que recebe visitantes do mundo inteiro o ano todo. Beba uma tradicional pint quando estiver por lá.

  • The Bingley Arms

            Localizado em: Bardsey, West Yorkshire, Inglaterra

           Idade: +1.100 anos

Curiosidade sobre o local: outrora conhecido como “The Priest Inn”, ou Hospedaria do Padre em português, este classiquíssimo pub inglês também recebeu o selo Guinness dos Recordes por sua linda e próspera existência. Embora documentos evidenciem que este bar fosse inaugurado oficialmente no ano de 953, existem pequenas evidências que indicam que sua verdadeira abertura tenha sido quase meio século antes disso, em 905.

  • Staatliches Hofbräuhaus

Localizado em: Munique, Alemanha

           Idade: +400 anos

Curiosidade sobre o local: fundada no ano de 1589, mais ou menos no mesmo período da vinda dos portugueses ao Brasil, esta cervejaria oferece não apenas uma boa bebida, como também recebe seus clientes do século XXI com muita comida tradicional da Baviera. O casarão de três andares repletos de mesas e lustres pendurados são um charme à parte. Por conta da grande estrutura e da quantidade de salas oferecidas ali, é possível reservar um espaço particular, para você e seus amigos comemorarem exatamente como um alemão do século 16.

  • The White Horse Tavern

          Localizado em: Newport, Rhode Island, Estados Unidos

          Idade: +340 anos

Curiosidade sobre o local: mais antigo que o próprio Estados Unidos, esta taverna ainda fazia parte das propriedades da rainha da Inglaterra quando abriu suas portas em 1673. O casarão de cor escarlate, feito a antigo molde inglês à base de madeira, perdura até hoje em pé – assim como o seu estrito código de vestimenta. Para saborear uma boa cerveja, nada de mangas curtas ou shorts, é preciso estar, no mínimo, casual chic. Vai que a rainha passe por lá…  

 

 

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Scotch Ale: A Poderosa Escocesa

Bebidas, Bom de copo, Histórias da Cerveja

22/10/2018

Era uma vez um país muito frio e chuvoso, em que boa parte do ano as terras desse lugar estão cobertas por uma fina capa de água intermitente, quando não tomadas pela fria geada e meses de neve. Nesta região dominada pelo verde musgo do solo sempre molhado, muitos homens e mulheres tentaram extrair o melhor da terra para a confecção de uma cerveja única e saborosa. Senhoras e senhores: bem-vindos à Escócia.

Com a impossibilidade de se cultivar um lúpulo de boa qualidade, as populações do norte do Reino Unido ou importavam a matéria-prima de regiões mais quentes do globo ou restringiam o uso do lúpulo com o resto útil que lhes sobrava em mãos. Não à toa, as Scotch Ales são conhecidas por seu baixo teor de amargor e um sabor acentuado puxado para o malte e o caramelo. Originalmente, este malte ligeiramente marrom foi sendo substituído ao longo do tempo pelo malte tostado e pela cevada não-maltada para preservar a sua coloração marrom-cobreada original.

Divididas em quatro subcategorias gerais, que variam da menor à maior densidade e graduação alcoólica, os subtipos recebem o nome da antiga medida de preço (e qualidade) utilizada no século XIX para um barril da bebida comercializada. A medida descrita com o símbolo de uma barra e um sinal negativo indicam quantos schillings, ou frações libra não-decimais, cada barril valia. São elas: Scotch Ale light 60/-, ou leve, com teor alcoólico de até 3,5% ABV; heavy 70/-, ou pesada, com teor alcoólico entre 3,5% e 4% ABV; export 80/-, ou exportação, com teor alcoólico entre 4% e 5,5% ABV e Strong Scotch Ale, ou forte, também conhecida como wee heavy, com teor alcoólico acima de 6% ABV.       

Pelo fato das Strong Scotch Ale possuírem geralmente, mas não obrigatoriamente, um tempo maior de fervura, a caramelização dos açúcares do mosto e o aumento da densidade do mesmo geram uma cerveja mais doce e ao mesmo tempo mais alcoólica. Por isso, recomenda-se harmonizar uma Strong Scotch Ale com carnes mais intensas, como carne de cordeiro e javali ou sobremesas não tão açucaradas.

Um brinde às terras altas!

Com informações de: BJPC, Cerveja Magazine, Cerveza Artezana, Goronah e Wikipédia

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Quem não arrisca não petisca.

Bom Saber, Curiosidades

15/10/2018

A cerveja Pilsner vem, é claro, da República Tcheca. No entanto, as coisas não são tão óbvias quanto parecem ser. Certa vez, os cidadãos de Pilsen ficaram tão insatisfeitos com sua cerveja que eles até derramaram-na toda na frente da prefeitura como forma de protesto. A partir daí, surgiu uma ideia brilhante.

Pergunte a um estrangeiro o que lhe vem à cabeça quando ele ouve as palavras “República Tcheca”. Sim, ele talvez responda “Skoda”, “Havel” ou “Praga”. Mas o que você, como cidadão tcheco, irá mais ouvir como resposta? “Cerveja”. Goste você ou não, é assim que funcionam as coisas.

Certamente, a cerveja já havia trilhado sua fama na Europa durante a Idade Média. Poder confeccionar a bebida era um dos maiores privilégios que uma cidade poderia ter. Se você pudesse fazer cerveja naquela época, você faria. A água dos poços públicos estava longe de ser limpa, por isso beber cerveja – ou pelo menos aquilo que se chamava de cerveja na época – era considerada uma opção mais segura. Levou-se muito tempo para que o mingau fermentado e turvo se parecesse com a bebida que conhecemos hoje.

Havia uma quantidade razoável de tipos de cerveja: as mais fracas eram bebidas no café da manhã; cada cidadão bebia, em média, três quartos de litro de cerveja por dia. A bebida era popular, com preços razoáveis e era encontrada facilmente. Mas ela era boa? Isso dependia. As ruas e praças abrigavam tabernas e cada local produzia a sua bebida da maneira que lhe convinha melhor.

Da sarjeta aos céus

A cidade de Pilsen, no oeste da Boêmia, não era exceção à regra. A arte de fazer cerveja surgiu desde a sua fundação em 1295. Os locais experimentavam a bebida com vontade e alegria nos mais de 260 estabelecimentos disponíveis. Os mais inventivos tentavam misturar uma série de ingredientes secretos, como ossos humanos moídos e pedaços de cordas. Não à toa que durante os tempos de Georg von Podiebrad (1478-1471), dizia-se que a cerveja local era “uma terrível mistura venenosa que produzia cálculos biliares e pontadas nos rins”.

Só que a cerveja local não foi melhorando com o passar do tempo. Muito pelo contrário: piorou. Se você estivesse, na época, à procura de uma cerveja mais palatável, você buscaria alguma outra proveniente da Saxônia ou da Bavária. Ao cabo, os aldeotas de Pilsen perderam a paciência com os produtores locais. Numa praça em 1838, eles derramaram 36 barris daquela mistureba horrorosa, intimando os produtores que “as coisas não poderiam continuar daquele jeito”. Em janeiro do ano seguinte, um plano simplesmente engenhoso foi bolado no encontro de cidadãos na prefeitura. Decidiu-se fundar conjuntamente uma fábrica de cerveja grande e moderna. A construção começaria de imediato e depois de apenas três anos de trabalho coletivo, a fábrica abriu suas portas sob o nome de Cervejaria Municipal de Pilsen (em tcheco: Měšťanský pivovar Plzeň).

Os fundadores não tinham grandes ambições. Os locais queriam apenas confeccionar uma cerveja robusta, de qualidade ao estilo bávaro. Para tal, eles chamaram o mestre cervejeiro Josef Groll de Vilshofen, cidade próxima à Passau.

A primeira leva, servida em novembro de 1842, saiu com gosto diferente do que o povo estava esperando: saiu ainda melhor do que o imaginado. Graças à combinação do lúpulo de Saaz, a água suave de Pilsen e o malte leve, esta não era apenas uma cerveja bávara, mas sim uma lager dourada de baixa fermentação. Durante a prova inaugural, dizia-se por aí que a bebida tinha “um sabor forte, excelente, desconhecido no mundo da cerveja”. Não é de se espantar, portanto, que ela rapidamente se espalhou por todos os bares de Pilsen e, em pouquíssimo tempo, também havia alcançado os estabelecimentos de Praga e Viena.

O mestre cervejeiro Josef Groll confirmou, portanto, um velho princípio conhecido: quem não arrisca não petisca. Graças aos novos ingredientes, ele tinha criado uma cerveja Pilsner completamente nova. Hoje, trata-se do tipo de cerveja mais vendido em todo o mundo.

 

Autora: Zuzana Lízcová / Goethe-Institut.

Texto sob licença Creative Commons para fins não-comerciais – Traduzido e editado do inglês ao português.

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Rã na Cerveja

Beerfood, Carnes, Receitas Típicas

08/10/2018

Antes que você faça cara de nojinho, saiba que a carne de rã é uma iguaria em muitos países do mundo, incluindo a França, Alemanha e Japão, por exemplo. Além de uma carne extremamente saborosa, trata-se de um alimento muito saudável.

De acordo com estudo divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no ano de 2009, a imigração europeia, notadamente a italiana, francesa, suíça e belga trouxe à América o hábito de consumir rãs em território nacional. Segundo a mesma pesquisa, as populações autóctones, indígenas, também já possuíam este hábito. Grandes ranicultores – aqueles que possuem criações de rãs – datam desde 1935 sua presença no Brasil, mas a produção e consumo deste tipo de alimento oscilou bastante durante o século XX e o início do século XXI.

O estudo também informa que a carne de rã possui 17% de proteína – teor semelhante à da carne de frango e de peixe –, baixo teor de colesterol – cerca de um terço em relação à carne de boi e menos da metade em relação à carne de porco – e “é muito prescrita para pacientes com carência de cálcio e osteoporose, por conter quantidade elevada de cálcio”.

Embora não haja estudos atuais conclusivos sobre a produção e consumo em território nacional, segundo o levantamento de 2016 feito pelo IBGE publicado pelo jornal O Globo, foram identificadas 160 toneladas de produção de rã no Brasil, embora este número pareça refletir apenas um terço da real produção no país. Isto significa, portanto, que somos o segundo maior produtor mundial de rãs, perdendo apenas para o Taiwan – país insular asiático notadamente conhecido pelo consumo deste anfíbio.

Em entrevista para o jornal Folha de Londrina, Sandra Akemi Bornia, proprietária do bar Izakaya, afirma: “Há preconceito só por causa do nome do prato, porque depois que as pessoas experimentam a carne, elas não costumam se arrepender. É um ótimo aperitivo, ainda mais acompanhado de uma cerveja gelada”.

Seguiremos seu conselho, Sandra: nada melhor do que abrir os horizontes para novas – e deliciosas – experiências. Um brinde!

 

Rã à Doré na Cerveja

Ingredientes

  • 6 rãs grandes
  • 1 dente de alho
  • Sal e pimenta a gosto
  • Suco de 1 limão médio
  • 100 ml de cerveja clara
  • Farinha de trigo para empanar
  • Óleo para fritar

Modo de Preparo

1.Tempere as rãs com o alho, sal, pimenta e limão.
2. Deixe descansar por 20 a 30 minutos com tempero na cerveja.
3. Passe na farinha de trigo, batendo bem para tirar o excesso.
4. Frite em óleo quente abundante.

Fonte da receita: Brejinha Boteco (contém adaptações)

Com informações de: Embrapa, Folha de Londrina e Globo Rural

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Gelatina de Cerveja

Beerfood, Doces e Sobremesas, Receitas Típicas

01/10/2018

Segundo o portal Origem da Palavra, o termo “gelatina” veio do francês (“gélatine”), que veio do latim (“gelu”) – que significa gelo – que por sua vez veio do indo-europeu, “gel” ou “frio”. Existem registros do uso da gelatina na culinária a partir do século XV na Inglaterra e desde 1754 é uma fórmula patenteada pelos britânicos. Hoje em dia, a gelatina é tanto utilizada para a culinária (doces, sopas e clarificação de bebidas, como a cerveja) quanto para usos mais técnicos e medicinais, como as capas das pílulas dos remédios que consumimos (totalmente digeríveis pelo nosso organismo) e extratos de cola.

De acordo com o website Encyclopedia.com, a gelatina foi provavelmente descoberta ao acaso: ao ferver os restos de ossos e gorduras de animais por mais de seis horas em fogo lento, obtém-se um caldo aglutinante. Durante a Idade Média, ter gelatina em casa era sinônimo de riqueza pois exigia muita mão de obra e carne para o abate.

Atualmente, existem dois tipos de gelatina: aquelas de origem animal, feitas a partir do colágeno da pele de boi ou porco e aquelas de origem vegetal, fabricadas a partir de algas. Após sua obtenção, o material é raspado, tratado quimicamente, filtrado, esterilizado, seco e moído. Ao colocarmos o pó da gelatina em água quente acima de 70ºC, rompe-se com a fraca ligação que une as tranças microscópicas do material. Elas se afastam uma das outras e, ao esfriar, a água ocupa o espaço entre as tranças, fazendo com que a gelatina ganhe este aspecto “meio líquido e meio sólido”.

Além de uma baita invenção, a gelatina é uma sobremesa universal que pode ser combinada com qualquer tipo de alimento e líquidos, incluindo frutas, chocolate e bebidas alcoólicas. Na receita de hoje, faremos uma versão para os amantes da cerveja.

Bom apetite!

Gelatina de Cerveja e Pêssegos

 Ingredientes

Gelatina de cerveja

  • 600ml de cerveja Lambic, preferencialmente de baixo teor alcoólico
  • 40g de açúcar refinado
  • 7 folhas de gelatina incolor

Gelatina de pêssegos e leite de coco

  • 300ml de água
  • 1 sachê de gelatina em pó sabor pêssego
  • 100g de leite condensado
  • 80ml de leite de coco

Gelatina de pêssegos

  • 150ml de água
  • 1 sachê de gelatina em pó sabor pêssego
  • Pêssegos em calda
  • 150ml da calda do pêssego

Modo de preparo

  1. Gelatina de cerveja

Hidrate as folhas de gelatina em água, de 2 a 3 minutos, depois esprema até sair totalmente o líquido. Use na sequência. Leve ao fogo 300ml de cerveja e ferva por 3 minutos, até evaporar o álcool. Coloque o açúcar e, fora do fogo, acrescente a gelatina hidratada. Dissolva bem todos os ingredientes, juntando mais 300ml de cerveja gelada. Comece a montagem da sobremesa em taças individuais, que será por camadas. Leve então ao refrigerador por 15 minutos a primeira gelatina, que é a de cerveja.

  1. Gelatina de pêssegos e leite de coco

Leve ao fogo 150ml de água para ferver. Retire do fogo e acrescente a gelatina em pó sabor pêssego e dilua bem. Acrescente mais 150ml de água gelada, o leite condensado e o leite de coco. Misture bem e faça então a segunda camada nas taças. Volte a gelar por 15 minutos.

Montagem do prato

Coloque fatias de pêssegos, ou picadinhos ou inteiros, em cima da segunda camada de gelatina. Isso você deve fazer quando esta segunda camada estiver quase firme. Faça então a terceira e última camada de gelatina de pêssegos cobrindo a fruta: coloque para ferver a água e dilua a gelatina, acrescente a calda de pêssegos gelada. Coe, e coloque em cima dos pêssegos assim fazendo a terceira e última camada de gelatinas. Leve por mais 15 minutos ao refrigerador e decore com pequenos quadradinhos feitos de gelatina de cerveja.

Fonte da receita: Revista Habitare (contém adaptações)

Com informações de: Encyclopedia.com, Origem da Palavra, Só Biologia, Superinteressante e Vida Ativa

 

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