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Histórias da Cerveja
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Münchner Hell – a Controversa Cerveja da Baviera

Bom de copo, Histórias da Cerveja

18/02/2019

Numa disputa entre tradição e modernidade, a Alemanha possui um histórico sem-fim de contos relacionados à cerveja e à chegada de novas concorrentes em seu mercado cervejeiro mais do que tradicional. Hoje, contamos a história de mais uma luta por espaço, atenção e reconhecimento. Hoje, contamos a história da Münchner Hell.

Literalmente “a clara de Munique”, a Münchner Hell se caracteriza como uma pale Lager, cuja criação da cervejaria alemã Spaten, no fim do século 19, foi uma resposta à invasão Pilsen tcheca, nascida poucos anos antes, em 1842, mas que havia chegado de forma avassaladora no mercado da Boêmia e da Baviera.

Avessos à grandes mudanças, os Biergarten da Baviera eram, até a metade do século 19, ainda repletos de lagers escuras, especialmente do estilo Dunkel. A tradição em Munique, no entanto, acabou cedendo à modernidade logo no começo do século 20 pelas duas grandes ondas das cervejas claras: as Pilsen (da Boêmia) e as Hell (da própria Munique).

Segundo o portal Cervejaria Virtual, à diferença de uma Pilsen, a cervejas Hell são ainda mais claras, mais encorpadas, mais lupuladas, levemente menos amargas e menos aromáticas que as loiras tchecas. Regionalmente, as Münchner Hell saíram ganhando na Baviera e hoje são a menina dos olhos nos grandes festivais internacionais de cerveja no sul da Alemanha, como o Oktoberfest. Em contrapartida, as cervejas Pilsen dominaram o mercado mundial e hoje representam, de acordo com matéria publicada pela Revista Exame, as marcas mais vendidas no Brasil, Estados Unidos e Europa.

Seja que for o vencedor oficial desta disputa invisível, a “clara de Munique” chegou para ficar. Esta cerveja médio encorpada e de média carbonatação, de cor dourada brilhante (entre 3 e 5 SRM) e graduação alcoólica entre 4,7% e 5,4% ABV, pode ser encontrada fora das terras saxãs e é uma perfeita companheira para um verão quente tropical.

Afinal, se você ainda não sabe para quem torcer nesta guerra sem nome, é bom tomar um partido após experimentar o melhor dos dois lados.

Com informação de: BJCP, Cervejaria Virtual, O Caneco, Revista Exame e Wikipedia

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Berliner Weisse – a Champanhe do Norte

Bom de copo, Histórias da Cerveja

28/01/2019

O que é, o que é: uma cerveja de trigo sour, de origem alemã, mais precisamente de Berlim e adorada por Napoleão? Adivinhou se você respondeu “Berliner Weisse”.

Literalmente “a branca berlinense”, a Berliner Weisse possui uma história envolta de mistérios e imprecisões documentais, cujo quebra-cabeça temporal desta bebida remonta lá atrás, no ido século 16. Segundo o mundialmente conhecido pesquisador britânico Michael Jackson, em seu livro “The World Guide to Beer” (ou “O Guia Mundial da Cerveja”, em tradição-livre para o português), nem mesmo em Berlim esta cerveja nasceu, senão em Hamburgo, cidade ainda mais ao norte da Alemanha, próxima à fronteira com a Dinamarca. Segundo o pesquisador, uma receita hamburguesa teria sido copiada pelo cervejeiro Cord Broihan e trazida à Berlim no século 16, tornando-se extremamente popular na cidade por volta de 1640 graças a outro produtor, o doutor J.S. Elsholz.  

De acordo com o portal Brejas.com.br: “as cervejas do estilo Berliner Weisse diferem-se das brejas de trigo (Weizenbieren) basicamente porque, em sua fermentação, utiliza-se leveduras lácticas. Isso confere às cervejas peculiares notas cítricas e azedas, organolepticamente semelhantes às produzidas pelas brejas no estilo Lambic. Na Alemanha, as cervejas desse estilo são geralmente servidas misturando-se a elas xaropes de frutas, especialmente framboesa e limão”. Não à toa, quando Napoleão invadiu a Alemanha em 1805, ele batizou a Berliner Weisse de “a champanhe do Norte” por conta justamente deste caráter ácido e levemente frutado.

Incrivelmente popular até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Berliner Weisse era a bebida alcóolica mais consumida na cidade de Berlim e possuía diversas “modalidades”, de acordo com o gosto e o bolso do cliente e do mestre cervejeiro que a produzia. Por conta do regime de taxação alemão – no qual as cervejas mais alcóolicas pagavam mais impostos do que as menos alcóolicas –, existia uma divisão classista entre as Berliner Weisse mais aguadas, de teor alcóolico mais baixo, e as “Voll-Weisse” (ou, “Weisse plena”), preferida pelos ricos da época. Além do preço final, uma Berliner Weisse poderia possuir tanto 2% de ABV quanto 6% ABV.

Ideal para ser consumida no verão por conta de seu sabor refrescante e ácido, a Berliner Weisse é composta por bastante malte de trigo (entre 30% e 50%) e é fruto de uma fermentação lática, num mosto não fervido. O resultado é uma cerveja bem mais clara e bem menos amarga do que as cervejas Weiss da Baviera, do sul da Alemanha.

Embora tenha praticamente desaparecido do mapa no século 21, a Berliner Weisse ganhou o selo de Indicação Geográfica Protegida de Estilo da União Europeia para garantir as normas e tradições berlinenses dos produtores locais, além de se manter viva no mundo das bebidas alcóolicas. E se até mesmo o Imperador dos Franceses à época elogiou esta bebida por seus traços leves e ao mesmo tempo distintos, quem somos nós, reles mortais, para discordar dele, não é mesmo?

 

Com informação de: Brejas.com.br, O Cru e o Maltado, Price Beer e Wikipédia

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Gose – uma cerveja ressurgida das cinzas

Bom de copo, Histórias da Cerveja

17/12/2018

Poucas cervejas no planeta possuem uma história tão particular e cheia de reviravoltas como as do estilo Gose. Uma sobrevivente em meio à Europa do século XIX e XX, as cervejas do estilo Gose são também uma espécie de prima rebelde, pois não seguiam a Lei da Pureza da Baviera (Reinheitsgebot), promulgada em 1516 pelo duque Guilherme IV da Baviera.

A Gose é considerada uma especialidade da região de Goslar, da Baixa Saxônia, na Alemanha – lugar este que acabou cunhando o nome da cerveja. A Baixa Saxônia, junto com o norte da Alemanha, a Bélgica e atuais Países Baixos acabaram se especializando nas cervejas de trigo ácidas e embora compartilhem um tronco em comum, é importante não confundir esta bebida com a Gueuze belga.

Com um sabor inconfundivelmente salgado, mas ao mesmo tempo azedo e pouco lupulado, a Gose alemã se vira totalmente de costas à Lei da Pureza da Baviera ao adicionar sal e coentro em sua confecção. Com malte de trigo não filtrado e um teor alcoólico que varia entre 4% e 5% ABV, diz-se que esta bebida se manteve viva graças à tradição oral familiar europeia, onde cada família possuía a sua receita e toques específicos.

Originalmente, lá por volta do século 18, as Gose eram produzidas através da fermentação espontânea, mas este processo foi sendo substituído pelo uso de fermentos e bactérias lácticas no século seguinte. Mesmo em Leipzig, cidade importante onde se popularizou a bebida, a Gose nunca gozou de um status elevado. Um dos principais motivos era o seu custo-benefício, geralmente baixo para uma bebida que vinagrava rapidamente se não consumida a tempo.

Preço alto, pouca demanda e vida curta: não bastou uma, mas duas Grandes Guerras Mundiais em solo europeu no século XX para praticamente eliminar este estilo de cerveja da face da terra. Em 1966, com a morte de Guido Pfniser, considerado o último produtor de Gose na Alemanha, nunca mais se ouviria falar desta bebida se não fosse por Lothar Goldhahn.

Um entusiasta dos bons tempos cervejeiros da Alemanha pré-Guerras, Lothar Goldhahn revitalizou um dos principais e mais tradicionais bares de Leipzig, o Ohne Bedenken. Com a ajuda de um antigo funcionário que possuía partes da receita da Bose em mãos e de uma outra cervejaria baseada em Berlim, Goldhahn conseguiu reavivar um estilo praticamente morto em todo o mundo nos anos 1980.

Hoje, com um status de “fênix das bebidas” e um bom público amante de cervejas especiais em todo o mundo, sobretudo na Europa e Estados Unidos, uma cerveja Gose pode ser encontrada ao redor de todo mundo para deleite nosso e dos ancestrais saxões.

Com informação de: Brejas, Mestre Cervejeiro, O Cru e o Maltado, Price Beer e Wikipédia

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Do outro lado do mundo: Cerveja de Arroz Japonês

Bom de copo, Histórias da Cerveja

26/11/2018

A regra é clara: de acordo com a Lei da Pureza Alemã, promulgada pelo duque Guilherme IV da Baviera em 1516, a cerveja deve conter apenas água, malte de cevada e lúpulo, correto? Mas, como dizem por aí, as regras são feitas para serem obedecidas e às vezes, quebradas. Por isso não é de se estranhar que, do outro lado do mundo, os japoneses resolveram contornar esta lei medieval alemã e criaram a cerveja de arroz.

Base da tradicional dieta nipônica – conhecida como “washoku” em japonês que entrou na lista do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2013 –, o arroz presente no sushi forma parte da história do Reino do Sol Nascente desde seus tempos mais primordiais. Não é de se estranhar, portanto, que o país produza bebidas alcóolicas à base desse grão, como o famigerado saquê e, por que não, a própria cerveja.

Embora os atuais japoneses dependam cada vez menos do arroz para se alimentarem e prefiram integrar a sua dieta a um mundo globalizado, com outras tantas ofertas de cozinhas internacionais à sua disposição, a tradição e a inovação são duas características clássicas do Japão do século XX e XXI. De acordo com o portal G1, pela abundância do grão e com o intuito de diminuir os níveis de proteína do malte, o arroz passou a ser utilizado na confecção da cerveja japonesa já no século XIX e, com o advento da Segunda Guerra Mundial e a diminuição da produção de cevada, esta curiosa alternativa se tornou cada vez mais presente no copo dos japoneses.

Por ter pouco apreço no mercado internacional e estar relacionada a uma produção mais econômica, as cervejas de arroz nem sempre são bem vistas pelos cervejeiros mundo afora. Mas não se deixe enganar: existem boas opções no mercado que contêm arroz em sua composição. O governo japonês é rígido em relação aos processos industriais: é necessário no mínimo 67% de malte para que a bebida seja considerada uma biru, isto é, cerveja.

Da panela para o copo, uma típica lager de arroz poderá surpreendê-lo(a) por sua suavidade e aspecto dourado brilhante, perfeito para um dia quente de verão que já está batendo na porta do brasileiro neste fim de ano.

Aprenda com um dos povos mais longevos deste planeta e abrace as diferenças na hora de curtir uma gelada. Quem sabe a cerveja de arroz não entra de vez no seu cardápio e faça parte da sua própria lei da pureza comemorativa?

Com informação de: Beeriety, Japan Beer Times, Portal G1, Sushibilidade e Wikipédia

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Scotch Ale: A Poderosa Escocesa

Bebidas, Bom de copo, Histórias da Cerveja

22/10/2018

Era uma vez um país muito frio e chuvoso, em que boa parte do ano as terras desse lugar estão cobertas por uma fina capa de água intermitente, quando não tomadas pela fria geada e meses de neve. Nesta região dominada pelo verde musgo do solo sempre molhado, muitos homens e mulheres tentaram extrair o melhor da terra para a confecção de uma cerveja única e saborosa. Senhoras e senhores: bem-vindos à Escócia.

Com a impossibilidade de se cultivar um lúpulo de boa qualidade, as populações do norte do Reino Unido ou importavam a matéria-prima de regiões mais quentes do globo ou restringiam o uso do lúpulo com o resto útil que lhes sobrava em mãos. Não à toa, as Scotch Ales são conhecidas por seu baixo teor de amargor e um sabor acentuado puxado para o malte e o caramelo. Originalmente, este malte ligeiramente marrom foi sendo substituído ao longo do tempo pelo malte tostado e pela cevada não-maltada para preservar a sua coloração marrom-cobreada original.

Divididas em quatro subcategorias gerais, que variam da menor à maior densidade e graduação alcoólica, os subtipos recebem o nome da antiga medida de preço (e qualidade) utilizada no século XIX para um barril da bebida comercializada. A medida descrita com o símbolo de uma barra e um sinal negativo indicam quantos schillings, ou frações libra não-decimais, cada barril valia. São elas: Scotch Ale light 60/-, ou leve, com teor alcoólico de até 3,5% ABV; heavy 70/-, ou pesada, com teor alcoólico entre 3,5% e 4% ABV; export 80/-, ou exportação, com teor alcoólico entre 4% e 5,5% ABV e Strong Scotch Ale, ou forte, também conhecida como wee heavy, com teor alcoólico acima de 6% ABV.       

Pelo fato das Strong Scotch Ale possuírem geralmente, mas não obrigatoriamente, um tempo maior de fervura, a caramelização dos açúcares do mosto e o aumento da densidade do mesmo geram uma cerveja mais doce e ao mesmo tempo mais alcoólica. Por isso, recomenda-se harmonizar uma Strong Scotch Ale com carnes mais intensas, como carne de cordeiro e javali ou sobremesas não tão açucaradas.

Um brinde às terras altas!

Com informações de: BJPC, Cerveja Magazine, Cerveza Artezana, Goronah e Wikipédia

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Framboise

Bom de copo, Histórias da Cerveja

24/09/2018

Numa pequena região a oeste de Bruxelas, capital da Bélgica, situa-se o lar de um importante – porém não tão conhecido – estilo de cerveja chamado Framboise ou Frambozen. Tanto em francês quanto em flamengo (as duas línguas oficiais deste país europeu) ambas as palavras significam o mesmo: framboesa.

Muito antes dos produtores de cerveja se utilizarem do lúpulo como aditivo de sabor à bebida, uma série de frutos e vegetais eram adicionados às cervejas de estação. E foi com base na framboesa que esta cerveja de trigo, de fermentação espontânea, ganhou seu destaque no mercado internacional.

Segundo o portal Beer & Brewing, a base desta cerveja lambic é de 30% a 40% de trigo combinados com 60% a 70% de cevada maltada. De acordo com o mesmo portal, “todo o lúpulo utilizado nesta produção de lambic é envelhecido intencionalmente com a finalidade de diminuir o óleo aromático e o iso-alfa-ácido, reduzindo o aroma do lúpulo e seus componentes de amargor”.

Durante seu processo de fermentação, o mosto é transferido a barris de carvalho e posteriormente passam por um processo de envelhecimento que pode durar até um ano. Após este longo período, adiciona-se então as framboesas para uma segunda etapa de envelhecimento que pode durar de um mês a outro ano inteiro, dependendo da demanda do produtor.

A composição de frutos verdadeiros ou xaropes de framboesa, além da adição de adoçantes naturais (ou não) varia de produtor a produtor. Por se tratar de uma bebida tipicamente seca e por muitas vezes considerada “azeda”, houve já o tempo em que açúcar era oferecido junto ao cliente para adoçar, a sua maneira, esta inusitada cerveja lambic.

Com um aroma inconfundível de framboesa, esta cerveja apresenta, em geral, uma coloração clara (entre 0 e 10 IBUs), medianamente encorpada e levemente ácida nas bebidas mais jovens. Ideal para ser servida a 7ºC, num copo lambic estilo flauta, esta iguaria europeia acompanha bem sobremesas de chocolate, sorvetes e caviar. Mais fino que isso, impossível!

 

Com informações de: BJCP, Beer & Brewing Magazine e Merchant du Vin

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Cerveja: Uma Deusa do Antigo Egito

Bom de copo, Histórias da Cerveja

05/07/2018

Tenenit – deusa egípcia da cerveja, intimamente associada à Meskhenet, deusa do parto e protetora das casas de parto – deriva seu nome de tenemu, uma das palavras do antigo egípcio para “cerveja”. A cerveja mais popular no Egito era a Heqet (ou Hecht), uma fermentação com mel e os trabalhadores do planalto de Gizé recebiam três porções da bebida por dia. Em geral, a cerveja era comumente usada no antigo Egito como recompensa pelo trabalho – o nosso chamado salário.

Os egípcios acreditavam que a confecção de cerveja fora ensinada aos seres humanos através do próprio grande deus Osiris e, por conta disso, eles tinham a mesma visão sobre a cerveja que os povos mesopotâmicos, isto é: uma bebida sagrada. Assim como na Mesopotâmia, as mulheres foram as primeiras mestres-cervejeiras do antigo Egito a confeccionar a bebida em suas próprias casas. Naquele tempo, a cerveja possuía a mesma consistência e passava pelo mesmo processo dos povos mesopotâmicos. Como resultado, a bebida era um líquido grosso, com consistência de mingau. Posteriormente, os homens tomaram o controle da confecção.

Hoje em dia, temos o registro do trabalho de uma antiga cervejaria egípcia através de pequenas figuras esculpidas em miniatura, encontradas na tumba de Meketre – o Primeiro Ministro do faraó Mentuhotep II que governou de 2050 a 2000 a.C. Segundo descrição do Museu Metropolitan da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, “o superintendente, munido com um bastão, fica na porta do local. Na cervejaria, duas mulheres moem farinha com a qual um outro homem a transforma em massa. Um terceiro homem separa pedaços da massa e a arremessa sobre uma grande panela para a fermentação. Após a fermentação, o líquido é despejado em jarras redondas e tampado com uma rolha de argila preta”.

A cerveja desempenhou um papel fundamental no popularíssimo mito, na época, sobre o nascimento da deusa Hathor. De acordo com a lenda – que muito se assemelha aos contos pré-bíblicos do grande dilúvio do Gênesis –, o deus Ra, irado com a maldade e a ingratidão da humanidade, envia Sekhmet à Terra para destruir sua criação. Conforme a sede de Sekhmet por sangue só aumenta a cada vila e cidade por onde destrói, o deus Ra acaba se arrependendo de sua decisão. Ele então tinge uma enorme quantidade de cerveja de vermelho e Sekhmet, achando que a bebida se tratava de sangue, pára sua matança por um momento e sorve o líquido. Ela acaba ficando bêbada, cai no sono e acorda sob a forma da deusa Hathor – a deidade benevolente da música, do riso, dos céus e, sobretudo, da gratidão.

A associação entre cerveja, gratidão e Hathor ganhou um destaque numa escritura encontrada do ano 2200 a.C. em Dendera, templo de culto à Hathor. Nela se diz: “a boca de um homem perfeitamente contente está cheia de cerveja”. A cerveja era aproveitada com tanta frequência pelos antigos egípcios que a Rainha Cleópatra VII, governante de 69 a 30 a.C, perdeu popularidade no final do seu reinado por justamente aumentar os impostos sobre a bebida pela primeira vez na história de seu povo, repetindo o feito mais tarde para pagar o custeio de uma guerra com Roma.

Naqueles tempos, a cerveja era frequentemente prescrita para fins medicinais (havia pelo menos 100 remédios à base de cerveja) e os impostos eram considerados injustos.

— Trecho do artigo “Cerveja na Antiguidade” (Beer in the Ancient World), escrito por Joshua J. Mark, editado e traduzido direto do inglês sob licença de reprodução Creative Commons —

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Kvass

Bom de copo, Histórias da Cerveja

24/11/2017

São precisamente 17,1 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente ao dobro da área de todo o Brasil e mais um pouquinho, num espaço suficiente para plantar todo o centeio do mundo. O nosso copo gelado de hoje tem sua origem no maior país do mundo.

Do antigo eslavo, “kvas” – cujo significado literal é “fermento de pão” – esta bebida de baixo teor alcóolico vem lá do Norte, na Rússia.

Sobre o kvas, sua origem remonta há mais de 5.000 anos, junto com o surgimento da cerveja como a conhecemos e se tem registros históricos desta bebida a partir das Crônicas Russas, do ano de 989.

Reza a lenda que um saco de grãos recebeu chuva de uma noite para a outra e começou a brotar. O fazendeiro então decidiu guardar o produto cultivado e transformá-lo em farinha. Embora ele observou que esta farinha não podia ser utilizada para confeccionar pães, tomou uma segunda decisão de fermentar o produto – que a partir deste malte se tornou o primeiro kvas.

Embora seja considerada “uma bebida de pão” e feita através de processos muitos similares à cerveja – desde o seu processo mais simples que inclui apenas pão e água, à inserção de aromas e gostos à mistura, com a inclusão de ervas e plantas aromáticas na fermentação, muitos consideram o kvas uma bebida não-alcóolica, embora contenha – em média – cerca de 2.0% de ABV.

Consumido principalmente, mas não exclusivamente, nos países eslavos e antigos membros da União Soviética, como a Ucrânia, Polônia e a Lituânia, o “kvas verdadeiro” é uma bebida em constante processo de fermentação e, portanto, viva. Algo como, na teoria, “um chope russo”.

Por se tratar de um líquido nutritivo, rico em vitaminas e muito refrescante, o kvas também é bastante utilizado por esportistas na recuperação de líquidos e sais minerais no pós-prova. Segundo o ditado: “плохой квас лучше хорошей воды” – “um kvas ruim é melhor do que uma boa água”.

Com informações de EBC, Beer Advocate, NPR, Russia Pedia, Wikipedia

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Do porto ao copo

Bom de copo, Histórias da Cerveja

07/02/2017

Há mais de 300 anos, numa ilha muito distante do outro lado do Atlântico Norte, nascia uma cerveja escura que se tornaria um sucesso comercial mundial. Criada na Inglaterra durante um período recheado de intensas mudanças que ficou conhecido na História como a “Revolução Industrial”, havia uma classe de trabalhadores em particular que adotou a novidade negra como sua bebida favorita. Foram justamente estes homens e mulheres que trabalhavam nos portos que acabaram batizando a bebida: do inglês Porter, como é conhecida atualmente, o nome desta cerveja pode ser traduzido ao pé da letra como portuária.

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