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Estilos de Cerveja
Categoria

Águas de Märzen (Märzenbier)

Bebidas, Bom de copo, Estilos de Cerveja

26/08/2019

Assim como a Natureza possui os seus ciclos, as cervejas também acompanham (ou pelo menos acompanhavam…) os ritmos do planeta, suas estações e possibilidades de cada época. Afinal, água, malte, lúpulo e levedura são ingredientes naturais que sofrem com as intempéries do clima – e quando nos referimos a Alemanha do século 16, sem qualquer tipo de tecnologia de previsão meteorológica ou refrigeração, uma simples frente fria ou uma onda de calor extrema poderia significar o fim da colheita, ou o fim da sua cerveja.

Enquanto as “águas de março fecham o verão” no Brasil e no Hemisfério Sul, lá no Norte o terceiro mês do ano significa o contrário: o fim de um longo inverno e abertura da temporada de calor. Logicamente, a partir desse momento, não era mais permitida (ou pelo menos recomendada) a confecção da cerveja na região da Baviera justamente pela falta de refrigeração – fermentar no calor era um negócio perigoso para a saúde.

Segundo relatos e escrituras antigas da região, as últimas cervejas confeccionadas em março (Märzenbier em alemão) eram guardadas em cavernas, onde a rocha mantinha a temperatura média do ambiente relativamente baixa, teoricamente geladinha, para serem consumidas no verão.

Após madurarem meses a fio, estas Lagers da Baviera possuíam, em geral, um aspecto âmbar alaranjado até algumas bem mais escuras, conhecidas como dunkles Märzen, de cor marrom. Ricas nos aromas dos maltes e com pouco aroma de lúpulo, as Märzenbier geralmente evocam sabores mais tostados e, dependendo da região, um dulçor a caramelo (notadamente as Märzen vienenses). Em geral, são cervejas de concentração alcoólica mais “elevada”, entre 5,8% e 6,3% ABV.  

Embora não necessariamente comportam a mesma origem, “as cervejas de março” ganharam sua fama internacionalmente no século 19 com a popularização das Vienna Lager no Oktoberfest. Por isso, muitas vezes ao buscar sobre a origem deste estilo, muitos tendem a assimilar uma Vienna Lager, uma Oktoberfest e uma Märzenbier num único grupo.

Com informação de: All About Beer, American Craft Beer e Wikipédia 

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Kriek

Bom de copo, Estilos de Cerveja

05/08/2019

“Cerveja frutada”. Você provavelmente já deve ter ouvido alguém falar nesse conceito muito antes de começar a beber. Hoje, vamos falar sobre um dos estilos de cerveja da família Lambic que, não à toa, leva literalmente um fruto em sua produção. Conheça as cervejas do estilo Kriek.

Este estilo curioso que confeccionar cerveja requer cuidado e paciência, e quando dizemos paciência, a arte de deixar a Natureza fazer o seu trabalho é fundamental aqui. Isto porque uma cerveja da família Lambic (na qual se encontram as cervejas Kriek) requer, em média, seis meses de preparação até que esteja pronta para ser consumida – algumas levam até anos. Ao contrário das Ales e Lagers, as Lambic tradicionalmente não passam por um processo de fermentação forçado de controle de temperatura. Esta fermentação, diferentemente das duas primeiras famílias anteriormente mencionadas, é de modo espontânea: utiliza-se cerca de 30% de trigo não-maltado e lúpulos envelhecidos que, depois de fervidos, são deixados “à sorte” em tonéis de madeira. O contato do mosto com os microorganismos do tonel fará o seu papel na produção natural de álcool.

No caso das Kriek, além da fermentação natural própria desta família, adiciona-se ao mosto até 30% de ginja: uma espécie de cereja ácida, também conhecida como amarena. Aliás, “kriek” é o próprio nome desta fruta em flamengo, língua utilizada no noroeste da Bélgica. Tradicionalmente, utiliza-se apenas o açúcar da própria fruta na fermentação. Hoje em dia, é muito difícil encontrar uma cervejaria que siga à risca esta regra. 

Num processo trifásico, composto de três tipos de fermentação natural, obtém-se uma bebida com teor alcoólico relativamente mais elevado, entre 5% e 7% ABV. Ou seja: depois de a própria cerveja fermentar, depois de ela fermentar com a fruta e, por fim, depois de fermentar na garrafa, espera-se uma deliciosa bebida ácida e refrescante, seca e de baixa carbonatação.

Para harmonizar com este estilo de cerveja, recomenda-se uma boa porção de queijos da categoria mofo branco: brie e camembert, além de uma boa geleia. Não à toa, muitos afirmam que a sobremesa ideal para acompanhar uma Kriek é um belo de um cheesecake.

Com informação de: Brew Beer, Homini Lúpulo, Mestre Cervejeiro, Wikipédia

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Witbier – A Prima Belga

Bom de copo, Estilos de Cerveja

27/05/2019

Apesar do país inteiro ser apenas um pouco maior do que o estado de Alagoas, a Bélgica ainda é referência mundial quando o assunto é cerveja. Produtores e consumidores vorazes de algumas das melhores bebidas do ramo, hoje comentaremos um pouco mais sobre a Witbier – a cerveja de trigo prima da alemã.

Da junção das palavras ‘wit’ e ‘bier’, que em neerlandês quer dizer branco e cerveja, ou, “cerveja clara”, seu nome já indica sua primeira característica específica. Geralmente classificadas entre 2 e 4 SRM (numa escala internacional que varia entre 2 a mais de 40), as Witbier também possuem outra qualidade peculiar que chama a atenção do consumidor logo de entrada: notas de especiarias e frutas. Isso se deve ao período em que esta cerveja era popular, há cerca de 400 anos, quando as especiarias eram não só uma fonte de renda e pagamento, como um motivo para longas expedições dos navegantes europeus pelo mundo.

A Witbier, assim como a Weissbier alemã, é uma cerveja de trigo. Composta basicamente de 50% de trigo não-maltado e 50% de malte pilsen, entre alguns elementos que a diferenciam da prima alemã é justamente a utilização de temperos como o coentro. Por ser uma cerveja de trigo de alta carbonatação, o sabor do lúpulo não é algo que se destaca por aqui. Seu amargor dá lugar a uma refrescância frutada, mais cítrica em relação à Weissbier alemã. Igualmente sua espuma, embora menos presente que numa Weissbier alemã, é notadamente mais densa e consistente na bebida belga.

Apesar de sua popularidade atual, com um alto consumo deste tipo de cerveja durante o verão norte-americano e europeu, a Witbier passou por um longo período de esquecimento, tornando-se praticamente extinta até a década de 50 do século passado. Foi graças a Pierre Celis, um cervejeiro belga nascido na cidade de Hoegaarden, que este estilo renasceu como uma fênix em meio à popularidade das Lagers, que então dominavam o mercado de bebidas no mundo todo.

Num país tropical como o Brasil, esta cerveja de teor alcóolico baixo e de sabor refrescante pode ser justamente o que você estava buscando para se refrescar nas suas tardes quentes de domingo.

Com informações de: Birrapedia, Homini Lúpulo e Wikipédia

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Malt Liquor: controversa e adorada

Bom de copo, Estilos de Cerveja

18/03/2019

Como um bom grupo de exigentes consumidores, o público cervejeiro é bem específico quanto aos seus gostos. Existem aqueles que preferem uma cerveja mais leve e refrescante, outros não abrem mão de sua cerveja de trigo encorpada. Entre uma e outra, existe aquela famigerada cerveja controversa, praticamente uma anti-IPA, rechaçada pela comunidade cervejeira. Hoje, falaremos um pouco sobre a Malt Liquor.

Mais consumida e produzida pelos norte-americanos, a Malt Liquor é uma senhora lager, carregada principalmente de cereais não maltados e com pouca incidência de lúpulo. O resultado é uma bebida potente, com alto teor alcóolico e sabor considerado “aguado” para os paladares mais aguçados.

Embora não seja muito popular em solo brasileiro, lá nos Estados Unidos existe toda uma cultura da forty-once, ou quarenta onças, como é conhecida a garrafa de Malt Liquor por lá. O termo está associado diretamente à festas e noites de bebedeira, principalmente pelo seu tamanho (equivalente a uma garrafa de dois litros) e, em geral, baixo custo.

Mas engana-se quem pensa que uma Malt Liquor é uma invenção da indústria moderna. Segundo a publicação People’s Journal, a primeira referência que se tem escrita sobre a bebida data o século XVII, em 1690. Parece, portanto, que a diversão norte-americana foi importada diretamente da ex-côlônia…

Atualmente, existem versões com mais ou menos açúcares adicionados à fermentação, o que confere uma bebida entre 6% e 9% de ABV em média, podendo chegar a um teor alcóolico de 12% – equivalente a um vinho comum. De cor amarela clara, variando entre 10 e 25 IBU, recomenda-se um copo clássico de pint para consumi-la – ainda que os nossos vizinhos norte-americanos prefiram utilizar o clássico copo colorido de papel.

Seja você um apreciador de uma Malt Liquor ou não, uma coisa é fato: como diria Oscar Wilde, “A única coisa pior do que falarem de você é não falarem de você”.

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Linguagem Cervejeira

Bom de copo, Estilos de Cerveja

10/09/2018

Gostar de cerveja todo mundo gosta, mas dentre as milhares de variedades no mundo desta bebida, sempre tem aquela que cativa mais o nosso coraçãozinho, que o faz bater mais forte quando provamos a nossa cerveja favorita novamente. Por isso, não é apenas uma questão de gostar de cerveja, é necessário também saber falar a linguagem da bebida, decifrar os seus códigos e segredos e aprimorar, cada vez mais, a nossa paixão pelo assunto.

Dentre as principais medidas classificatórias utilizadas hoje em dia, o mundialmente famoso programa norte-americano de formação e certificação de juízes cervejeiros, ou Beer Judge Certification Program (BJCP), em inglês, conta com mais de 7.500 profissionais do assunto e possui um incrível histórico de quase 1 milhão e 500 mil cervejas desde a sua fundação, em 1985.

Por motivos de orientação e organização, o BJCP passou a examinar as cervejas dentro de cinco estatísticas vitais (Vital Statics) a fim de agrupá-las em subgrupos posteriores. Estas cinco estatísticas vitais são:

  1. ABV – Alcohol by Volume – ou Álcool por Volume – se refere ao percentual total de álcool na bebida. Considera-se uma cerveja de baixo teor alcoólico entre 0,5% e 2,0%; de médio teor alcoólico entre 2,0% e 4,5% e alto teor alcoólico a partir de 4,5%.
  2. OG – Original Gravity – Gravidade Original ou Densidade Original do Mosto – se refere à quantidade de substâncias fermentáveis e não fermentáveis, também conhecida como “massa seca”, presente no mosto da bebida, antes de ela ir à fermentação. Em países como a Alemanha e a Suíça, a base de cálculo do imposto da bebida varia de acordo com a densidade original do mosto.
  3. FG – Final Gravity – Gravidade Final – se refere à quantidade de substâncias não fermentáveis presentes após a fermentação da bebida.
  4. IBU – International Bitter Units – Unidade Internacional de Amargor – classifica a quantidade de iso-alfa-ácido por litro de bebida, conferindo-a um grau menos ou mais amargo. Ela pode variar de 0 a 120, sendo 0 nada amargo e 120 extremamente amargo.
  5. SRM – Standard Reference Method – Método de Referência Padrão – diz respeito à cor da cerveja, podendo variar de 0-2 (cervejas ultraclaras e amareladas) a 40 graus ou mais com as Black IPAs.

Na próxima vez que você tomar uma cerveja que agrade o seu paladar, faça a lição de casa e tome nota destes cinco principais fatores vitais. Quem sabe assim você não começa a desenvolver a sua própria biblioteca de bebidas favoritas e encontrar, em qualquer canto do planeta, uma cerveja para chamar de sua?

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Roggenbier – A Cerveja de Centeio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

30/07/2018

Assim como a Fênix que ressurgiu das cinzas, a Roggenbier é um tipo de cerveja que praticamente desapareceu da face da Terra durante cinco séculos e retornou com força em pleno século 21. Além disso, ela é a nossa candidata favorita à representante da exótica categoria de cervejas de centeio.

Segundo a Wikipédia, até o século 15 na Alemanha era comum a utilização do malte de centeio para a confecção de cerveja. No entanto, com o advento da Lei da Pureza da Cerveja (ou Reinheitsgebot, em alemão), promulgada pelo duque Guilherme Quarto da Baviera em 1516, estipulou-se naquela região da Europa que a cerveja deveria ser feita exclusivamente a partir de água, malte de cevada e lúpulo. Neste caso, o centeio ficou exclusivamente dedicado à confecção de outros alimentos, como pães e massas.

Hoje em dia, com a libertação da Lei da Pureza da Cerveja e o resgate à memória de antigas tradições em bebidas, a Roggenbier ressurgiu para ficar. Trata-se de uma cerveja cuja composição do malte tem, em média, pelo menos 50% de centeio.

Segundo o portal Beer Judge Certification Program, referência mundial na catalogação e promoção do conhecimento sobre cerveja, a Roggenbier é uma bebida medianamente encorpada, de alta carbonatação, cuja cor varia de um laranja acobreado a um marrom claro – entre 14 e 19 SRM – e possui, em média, entre 4,5% e 6% porcentagem alcóolica.

Para fugir um pouco das convencionais cervejas de cevada e de trigo, experimente hoje uma Roggenbier e deixe os seus comentários sobre a sua experiência abaixo.

Com informações de: Beer Judge Certification Program, Winning Home Brew e Wikipédia

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Bom de Frio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

19/06/2018

Ah, o inverno! Época de desempacotar todos aqueles casacos, cachecóis, meias de lã e mantas guardadas do ano passado. Embora o inverno comece oficialmente nesta quinta-feira, dia 21 de junho, é hora de se preparar para encarar a estação mais charmosa do ano de um jeito leve e divertido. Como? Com uma boa cerveja, é claro.

Uma boa dica para quem quiser manter o espírito cervejeiro durante esta não-tão-agradável temporada de frio é escolher como sua companhia de mesa uma bebida mais encorpada. Em geral, mas não exclusivamente, cervejas inglesas do tipo Ale cumprem bem este papel. Além de se recomendar servi-las numa temperatura ambiente – aqui, diga-se de passagem, ambiente da Inglaterra, também conhecido como inverno no Brasil –, as cervejas inglesas Ale irão também harmonizar com refeições mais pesadas, que envolvam algum tipo de assado ou grandes quantidades de massas. E como ninguém pretende tirar a roupa para ir à praia tão cedo, é hora de aproveitar as calorias extras para mergulhar num mundo sensorial dos prazeres sem culpa, mas com muito sabor.

Começando pela menina dos olhos, a queridinha entre os cervejeiros, a famosa Indian Pale Ale (IPA) é mundialmente reconhecida por seu forte amargor, leve sabor frutado e um refrescante toque cítrico. Servida idealmente numa temperatura entre 7ºC e 10ºC, uma IPA combina com uma boa carne em cocção a fogo lento e harmoniza bem com uma comida mais picante. Além de ser uma combinação quente, o alto teor do lúpulo irá suavizar os efeitos da pimenta em sua boca, garantindo uma boa experiência invernal, sem maiores efeitos colaterais.

A nossa segunda recomendação é a cerveja estilo Porter. Esta velha inglesa, cujo nome de batismo advém da região portuária do Atlântico Norte, reflete sua história numa mistura de orgulho e força. Durante os meses de inverno, a classe trabalhadora dos portos da Irlanda e da Inglaterra optava por uma bebida mais robusta, porém geralmente mais equilibrada em amargor, se comparada a uma IPA. Vale a pena comprar um tradicional pint inglês e brindar como um bom marujo. Idealmente servida entre 7ºC e 10ºC, uma Porter pode até ser um pouco difícil de se encontrar por aí, mas uma coisa afirmamos: vale a pena.

Já se o seu negócio é mergulhar de cabeça numa aventura etílica pra lá de tradicional, convidamos-lhe a vestir a sua melhor roupa para ir à missa e saborear uma Doppelbock.

Criação divina dos monges de São Francisco de Paula da Baviera, Alemanha, esta cerveja é também conhecida como “o pão líquido”, outrora servida especialmente durante os tempos de jejum de alimentos sólidos entre os religiosos. Impenetravelmente escura, assustadoramente alcóolica (entre 7% e 12% ABV) e riquíssima em sabor, você não precisa fazer nenhum voto de castidade para poder deliciar-se com esta maravilha: basta uma geladeira regulada entre 8ºC e 12ºC, um belo assado de porco no forno e um charmoso copo tulipa na mão.

Com uma destas três companhias, certamente você vai se sentir abraçado pelo calor de uma boa e tradicional cerveja, quem sabe até desejando que esta fria temporada se prolongue mais um pouquinho…

Com informações de: Beer& Brewing Magazine, The Pruce Eats

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Tudo vai bem com uma IPA na mão

Bom de copo, Estilos de Cerveja

21/05/2018

Verdade seja dita: a IPA é a menina dos olhos quando o assunto é cerveja. Diríamos que 9 em cada 10 cervejeiros a recomendam, enquanto 1 deles finge não gostar. Por detrás desta estatística 100% imprecisa residem alguns fatores importantes, que tornam a Indian Pale Ale tão popular entre os apreciadores da bebida: aroma, corpo e sabor. E isso, a IPA tem de monte.

Como comentamos neste post anterior, seu amargor acentuado e ligeiramente frutado, em decorrência dos cereais e estéreis utilizados, fazem com que alguém que nunca tenha tomado uma IPA antes não se esqueça tão fácil desta primeira experiência. Por isso, que tal trazer um cervejeiro novato para o lado luminoso da Força e impressioná-lo de uma vez por todas com um belo menu degustação que harmonize com a sua IPA?

O roteiro é clássico e não parece ser muito difícil de se lembrar: uma cerveja mais encorpada e forte acompanhará uma comida igualmente mais pesada e forte. Especificamente no caso da IPA, por conta de seu alto teor de lúpulo e amargor, além de um bom grelhado ou receitas que envolvam uma cocção em fogo lento, recomenda-se harmonizar esta bebida com uma comida mais picante. Não se preocupe: justamente o alto teor de lúpulo irá ajudar a diminuir a sensação do picante em sua boca.

Com a eminencia do inverno, mas com belas tardes de sol neste outono, uma boa carne assada e uma IPA na mão serão pedidas excelentes. Descubra as nuances e os sabores da sua própria bebida predileta ao combiná-la com uma comida que lhe traga uma memória afetiva. A sensação é de redescobrir um terreno que você pensava já estar dominado, com novos sabores e sensações.

Além da mencionada carne assada acima, comidas quentes como pimentão recheado, nachos e tortilhas mexicanas, curry de carne com batatas e um salmão grelhado são ideais para acompanhar a sua IPA.

Saúde… e bom apetite!

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Kölsch

Bom de copo, Estilos de Cerveja

24/04/2018

Você é do tipo que adora carimbar seu passaporte pelo mundo e sempre arranja uma boa desculpa para dar uma escapulida para algum lugar exótico, fora da rota turística? Você também é do tipo que aprecia uma boa cerveja e está sempre disposto(a) a conhecer uma variedade nova desta rica cultura? Então venha conosco, pois hoje embarcaremos para Colônia, na Alemanha.

Para além da tríade mais conhecida pelos turistas brasileiros – Berlim, Hamburgo e Munique – a cidade de Colônia possui uma história repleta de cicatrizes deixadas pelas duas grandes Guerras Mundiais, mas também uma linda arquitetura e rica cultura pautada na superação destes tempos difíceis.

Foi em 1906 que a cervejaria Sünner resolveu resgatar uma antiga técnica de fermentação outrora deixada para trás havia alguns séculos, na qual a bebida era fermentada a temperaturas mais elevadas (entre 13ºC e 21ºC) e posteriormente armazenadas em temperaturas mais baixas. Embora não fosse o sucesso de vendas e a queridinha da região naquele início de século XX, tanto a cervejaria quanto esta bebida, batizada posteriormente de “Kölsch”, conseguiram sobreviver os bombardeios da Segunda Guerra. Para se ter uma ideia da “sorte”, das mais de quarenta cervejarias que havia em Colônia, apenas duas seguiram em pé.

Antes tarde do que nunca, a fama viria a chegar mesmo nos anos 1980, com um aumento repentino de vendas das cervejas Kölsch em mais de 500% em menos de uma década. Conscientes do ouro líquido que tinham em mãos, foi em 1986 que 24 cervejarias de Colônia se associaram na “Convenção de Kölsch” e batizaram oficialmente este estilo único de produção, filho autêntico coloniano.

Visualmente, trata-se de uma cerveja clara (entre 3 e 6 SRM), com leve amargor (entre 18-28 IBU) e com graduação alcóolica que varia de 4,8% a 5,3 ABV. Segundo o portal norte-americano “Beer Judge Certification Program”, referência mundial no assunto, “um aroma delicado de fruta, produto da fermentação, será melhor percebido do que o aroma do malte”. Sugere-se, também, que a cerveja Kölsch seja preferencialmente consumida entre 4,5ºC e 7ºC num copo alto, cilíndrico e fino – conhecido também como Stange ou Kölsch glass.

Para um estilo que sobreviveu verdadeiramente a inúmeros percalços da História, respeito e tradição por esta cerveja é um tema de orgulho em Colônia. Por isto, se você der um pulinho pela região da Renânia do Norte-Vestefália e quiser se enturmar com o povo local, pergunte se eles servem Kölsch. Você certamente será recebido com outros olhos.

Com informações de: Craft Beer, Kegerator e Wikipédia

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Sahti

Bom de copo, Estilos de Cerveja

26/03/2018

Ao norte do planeta, num pequeno país encrustado entre a gigantesca Rússia e a famosa Suécia, a Finlândia permanece, ainda hoje, uma terra cheia de segredos e boas novidades aos olhos dos latino-americanos, especialmente àqueles que amam uma boa bebida. Conhecida principalmente por ser a terra oficial do Papai Noel, este país referência em igualdade social e altos índices de desenvolvimento humano possui uma cerveja para chamar de sua. Apresentamos-lhes: a Sahti.

Embora os resquícios escritos mais antigos sobre este tipo de cerveja datam do século 17, cascos dessa antiga iguaria foram encontrados a bordo de uma embarcação viking do século 9, isto é, há mais de 1000 anos. Trata-se, pois, de uma cerveja diferenciada, comemorativa, feita especialmente para tradições festivas e ocasiões especiais. Com o ressurgimento da cultura de proteção às cervejas artesanais no mundo ocidental como um todo, a Sahti não poderia ficar de fora da festa e ganhou, inclusive, um status de proteção geográfica na Europa.

Composta por uma variedade de grãos, cereais maltados e não maltados, incluindo cevada, centeio e aveia, a Sahti atual se distingue bastante por seu aroma que lembra à banana. Embora não leve a fruta tropical em sua composição, esta cerveja nórdica recebe este aroma particular por conta do acetato de isoamilo liberado pela levedura durante o processo de alta fermentação (Ale).

Um dos processos atuais mais clássicos na fabricação de uma Sahti é a combinação de infusão de zimbro (árvore facilmente encontrada em território finlandês) ao mosto. Não apenas pedaços do galho, como suas folhas e até mesmo o fruto são adicionados à bebida. O resultado é uma cerveja de tom escuro, similar à cor da Coca-Cola.

Tradicionalmente, tampouco se ferve a bebida em sua confecção e muito menos adiciona-se carbonatação à mistura. Isto porque a Sahti era consumida preferencialmente logo após sua confecção.

Em média, uma boa Sahti possui de 7% a 11% de graduação alcóolica (ABV) – ideal para ser apreciada com a entrada do frio do outono, a ser preferencialmente harmonizada com um bom pescado de águas salgadas.

Se você é do tipo cervejeiro aventureiro que atravessaria o globo inteiro em busca de novos sabores, experimente participar do Campeonato Nacional Finlandês de Sahti, celebrado tradicionalmente há 27 anos na cidade de Sastamala.

Como diriam os finlandeses: kippis! – ou – saúde!

Com informações de: American Homebrewers Association, Munchies (Vice) e Wikipédia

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