MENU

Estilos de Cerveja
Categoria

11809

Linguagem Cervejeira

Bom de copo, Estilos de Cerveja

10/09/2018

Gostar de cerveja todo mundo gosta, mas dentre as milhares de variedades no mundo desta bebida, sempre tem aquela que cativa mais o nosso coraçãozinho, que o faz bater mais forte quando provamos a nossa cerveja favorita novamente. Por isso, não é apenas uma questão de gostar de cerveja, é necessário também saber falar a linguagem da bebida, decifrar os seus códigos e segredos e aprimorar, cada vez mais, a nossa paixão pelo assunto.

Dentre as principais medidas classificatórias utilizadas hoje em dia, o mundialmente famoso programa norte-americano de formação e certificação de juízes cervejeiros, ou Beer Judge Certification Program (BJCP), em inglês, conta com mais de 7.500 profissionais do assunto e possui um incrível histórico de quase 1 milhão e 500 mil cervejas desde a sua fundação, em 1985.

Por motivos de orientação e organização, o BJCP passou a examinar as cervejas dentro de cinco estatísticas vitais (Vital Statics) a fim de agrupá-las em subgrupos posteriores. Estas cinco estatísticas vitais são:

  1. ABV – Alcohol by Volume – ou Álcool por Volume – se refere ao percentual total de álcool na bebida. Considera-se uma cerveja de baixo teor alcoólico entre 0,5% e 2,0%; de médio teor alcoólico entre 2,0% e 4,5% e alto teor alcoólico a partir de 4,5%.
  2. OG – Original Gravity – Gravidade Original ou Densidade Original do Mosto – se refere à quantidade de substâncias fermentáveis e não fermentáveis, também conhecida como “massa seca”, presente no mosto da bebida, antes de ela ir à fermentação. Em países como a Alemanha e a Suíça, a base de cálculo do imposto da bebida varia de acordo com a densidade original do mosto.
  3. FG – Final Gravity – Gravidade Final – se refere à quantidade de substâncias não fermentáveis presentes após a fermentação da bebida.
  4. IBU – International Bitter Units – Unidade Internacional de Amargor – classifica a quantidade de iso-alfa-ácido por litro de bebida, conferindo-a um grau menos ou mais amargo. Ela pode variar de 0 a 120, sendo 0 nada amargo e 120 extremamente amargo.
  5. SRM – Standard Reference Method – Método de Referência Padrão – diz respeito à cor da cerveja, podendo variar de 0-2 (cervejas ultraclaras e amareladas) a 40 graus ou mais com as Black IPAs.

Na próxima vez que você tomar uma cerveja que agrade o seu paladar, faça a lição de casa e tome nota destes cinco principais fatores vitais. Quem sabe assim você não começa a desenvolver a sua própria biblioteca de bebidas favoritas e encontrar, em qualquer canto do planeta, uma cerveja para chamar de sua?

Leia Mais

25929

Roggenbier – A Cerveja de Centeio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

30/07/2018

Assim como a Fênix que ressurgiu das cinzas, a Roggenbier é um tipo de cerveja que praticamente desapareceu da face da Terra durante cinco séculos e retornou com força em pleno século 21. Além disso, ela é a nossa candidata favorita à representante da exótica categoria de cervejas de centeio.

Segundo a Wikipédia, até o século 15 na Alemanha era comum a utilização do malte de centeio para a confecção de cerveja. No entanto, com o advento da Lei da Pureza da Cerveja (ou Reinheitsgebot, em alemão), promulgada pelo duque Guilherme Quarto da Baviera em 1516, estipulou-se naquela região da Europa que a cerveja deveria ser feita exclusivamente a partir de água, malte de cevada e lúpulo. Neste caso, o centeio ficou exclusivamente dedicado à confecção de outros alimentos, como pães e massas.

Hoje em dia, com a libertação da Lei da Pureza da Cerveja e o resgate à memória de antigas tradições em bebidas, a Roggenbier ressurgiu para ficar. Trata-se de uma cerveja cuja composição do malte tem, em média, pelo menos 50% de centeio.

Segundo o portal Beer Judge Certification Program, referência mundial na catalogação e promoção do conhecimento sobre cerveja, a Roggenbier é uma bebida medianamente encorpada, de alta carbonatação, cuja cor varia de um laranja acobreado a um marrom claro – entre 14 e 19 SRM – e possui, em média, entre 4,5% e 6% porcentagem alcóolica.

Para fugir um pouco das convencionais cervejas de cevada e de trigo, experimente hoje uma Roggenbier e deixe os seus comentários sobre a sua experiência abaixo.

Com informações de: Beer Judge Certification Program, Winning Home Brew e Wikipédia

Leia Mais

15847

Bom de Frio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

19/06/2018

Ah, o inverno! Época de desempacotar todos aqueles casacos, cachecóis, meias de lã e mantas guardadas do ano passado. Embora o inverno comece oficialmente nesta quinta-feira, dia 21 de junho, é hora de se preparar para encarar a estação mais charmosa do ano de um jeito leve e divertido. Como? Com uma boa cerveja, é claro.

Uma boa dica para quem quiser manter o espírito cervejeiro durante esta não-tão-agradável temporada de frio é escolher como sua companhia de mesa uma bebida mais encorpada. Em geral, mas não exclusivamente, cervejas inglesas do tipo Ale cumprem bem este papel. Além de se recomendar servi-las numa temperatura ambiente – aqui, diga-se de passagem, ambiente da Inglaterra, também conhecido como inverno no Brasil –, as cervejas inglesas Ale irão também harmonizar com refeições mais pesadas, que envolvam algum tipo de assado ou grandes quantidades de massas. E como ninguém pretende tirar a roupa para ir à praia tão cedo, é hora de aproveitar as calorias extras para mergulhar num mundo sensorial dos prazeres sem culpa, mas com muito sabor.

Começando pela menina dos olhos, a queridinha entre os cervejeiros, a famosa Indian Pale Ale (IPA) é mundialmente reconhecida por seu forte amargor, leve sabor frutado e um refrescante toque cítrico. Servida idealmente numa temperatura entre 7ºC e 10ºC, uma IPA combina com uma boa carne em cocção a fogo lento e harmoniza bem com uma comida mais picante. Além de ser uma combinação quente, o alto teor do lúpulo irá suavizar os efeitos da pimenta em sua boca, garantindo uma boa experiência invernal, sem maiores efeitos colaterais.

A nossa segunda recomendação é a cerveja estilo Porter. Esta velha inglesa, cujo nome de batismo advém da região portuária do Atlântico Norte, reflete sua história numa mistura de orgulho e força. Durante os meses de inverno, a classe trabalhadora dos portos da Irlanda e da Inglaterra optava por uma bebida mais robusta, porém geralmente mais equilibrada em amargor, se comparada a uma IPA. Vale a pena comprar um tradicional pint inglês e brindar como um bom marujo. Idealmente servida entre 7ºC e 10ºC, uma Porter pode até ser um pouco difícil de se encontrar por aí, mas uma coisa afirmamos: vale a pena.

Já se o seu negócio é mergulhar de cabeça numa aventura etílica pra lá de tradicional, convidamos-lhe a vestir a sua melhor roupa para ir à missa e saborear uma Doppelbock.

Criação divina dos monges de São Francisco de Paula da Baviera, Alemanha, esta cerveja é também conhecida como “o pão líquido”, outrora servida especialmente durante os tempos de jejum de alimentos sólidos entre os religiosos. Impenetravelmente escura, assustadoramente alcóolica (entre 7% e 12% ABV) e riquíssima em sabor, você não precisa fazer nenhum voto de castidade para poder deliciar-se com esta maravilha: basta uma geladeira regulada entre 8ºC e 12ºC, um belo assado de porco no forno e um charmoso copo tulipa na mão.

Com uma destas três companhias, certamente você vai se sentir abraçado pelo calor de uma boa e tradicional cerveja, quem sabe até desejando que esta fria temporada se prolongue mais um pouquinho…

Com informações de: Beer& Brewing Magazine, The Pruce Eats

Leia Mais

22376

Tudo vai bem com uma IPA na mão

Bom de copo, Estilos de Cerveja

21/05/2018

Verdade seja dita: a IPA é a menina dos olhos quando o assunto é cerveja. Diríamos que 9 em cada 10 cervejeiros a recomendam, enquanto 1 deles finge não gostar. Por detrás desta estatística 100% imprecisa residem alguns fatores importantes, que tornam a Indian Pale Ale tão popular entre os apreciadores da bebida: aroma, corpo e sabor. E isso, a IPA tem de monte.

Como comentamos neste post anterior, seu amargor acentuado e ligeiramente frutado, em decorrência dos cereais e estéreis utilizados, fazem com que alguém que nunca tenha tomado uma IPA antes não se esqueça tão fácil desta primeira experiência. Por isso, que tal trazer um cervejeiro novato para o lado luminoso da Força e impressioná-lo de uma vez por todas com um belo menu degustação que harmonize com a sua IPA?

O roteiro é clássico e não parece ser muito difícil de se lembrar: uma cerveja mais encorpada e forte acompanhará uma comida igualmente mais pesada e forte. Especificamente no caso da IPA, por conta de seu alto teor de lúpulo e amargor, além de um bom grelhado ou receitas que envolvam uma cocção em fogo lento, recomenda-se harmonizar esta bebida com uma comida mais picante. Não se preocupe: justamente o alto teor de lúpulo irá ajudar a diminuir a sensação do picante em sua boca.

Com a eminencia do inverno, mas com belas tardes de sol neste outono, uma boa carne assada e uma IPA na mão serão pedidas excelentes. Descubra as nuances e os sabores da sua própria bebida predileta ao combiná-la com uma comida que lhe traga uma memória afetiva. A sensação é de redescobrir um terreno que você pensava já estar dominado, com novos sabores e sensações.

Além da mencionada carne assada acima, comidas quentes como pimentão recheado, nachos e tortilhas mexicanas, curry de carne com batatas e um salmão grelhado são ideais para acompanhar a sua IPA.

Saúde… e bom apetite!

Leia Mais

10025

Kölsch

Bom de copo, Estilos de Cerveja

24/04/2018

Você é do tipo que adora carimbar seu passaporte pelo mundo e sempre arranja uma boa desculpa para dar uma escapulida para algum lugar exótico, fora da rota turística? Você também é do tipo que aprecia uma boa cerveja e está sempre disposto(a) a conhecer uma variedade nova desta rica cultura? Então venha conosco, pois hoje embarcaremos para Colônia, na Alemanha.

Para além da tríade mais conhecida pelos turistas brasileiros – Berlim, Hamburgo e Munique – a cidade de Colônia possui uma história repleta de cicatrizes deixadas pelas duas grandes Guerras Mundiais, mas também uma linda arquitetura e rica cultura pautada na superação destes tempos difíceis.

Foi em 1906 que a cervejaria Sünner resolveu resgatar uma antiga técnica de fermentação outrora deixada para trás havia alguns séculos, na qual a bebida era fermentada a temperaturas mais elevadas (entre 13ºC e 21ºC) e posteriormente armazenadas em temperaturas mais baixas. Embora não fosse o sucesso de vendas e a queridinha da região naquele início de século XX, tanto a cervejaria quanto esta bebida, batizada posteriormente de “Kölsch”, conseguiram sobreviver os bombardeios da Segunda Guerra. Para se ter uma ideia da “sorte”, das mais de quarenta cervejarias que havia em Colônia, apenas duas seguiram em pé.

Antes tarde do que nunca, a fama viria a chegar mesmo nos anos 1980, com um aumento repentino de vendas das cervejas Kölsch em mais de 500% em menos de uma década. Conscientes do ouro líquido que tinham em mãos, foi em 1986 que 24 cervejarias de Colônia se associaram na “Convenção de Kölsch” e batizaram oficialmente este estilo único de produção, filho autêntico coloniano.

Visualmente, trata-se de uma cerveja clara (entre 3 e 6 SRM), com leve amargor (entre 18-28 IBU) e com graduação alcóolica que varia de 4,8% a 5,3 ABV. Segundo o portal norte-americano “Beer Judge Certification Program”, referência mundial no assunto, “um aroma delicado de fruta, produto da fermentação, será melhor percebido do que o aroma do malte”. Sugere-se, também, que a cerveja Kölsch seja preferencialmente consumida entre 4,5ºC e 7ºC num copo alto, cilíndrico e fino – conhecido também como Stange ou Kölsch glass.

Para um estilo que sobreviveu verdadeiramente a inúmeros percalços da História, respeito e tradição por esta cerveja é um tema de orgulho em Colônia. Por isto, se você der um pulinho pela região da Renânia do Norte-Vestefália e quiser se enturmar com o povo local, pergunte se eles servem Kölsch. Você certamente será recebido com outros olhos.

Com informações de: Craft Beer, Kegerator e Wikipédia

Leia Mais

491

Sahti

Bom de copo, Estilos de Cerveja

26/03/2018

Ao norte do planeta, num pequeno país encrustado entre a gigantesca Rússia e a famosa Suécia, a Finlândia permanece, ainda hoje, uma terra cheia de segredos e boas novidades aos olhos dos latino-americanos, especialmente àqueles que amam uma boa bebida. Conhecida principalmente por ser a terra oficial do Papai Noel, este país referência em igualdade social e altos índices de desenvolvimento humano possui uma cerveja para chamar de sua. Apresentamos-lhes: a Sahti.

Embora os resquícios escritos mais antigos sobre este tipo de cerveja datam do século 17, cascos dessa antiga iguaria foram encontrados a bordo de uma embarcação viking do século 9, isto é, há mais de 1000 anos. Trata-se, pois, de uma cerveja diferenciada, comemorativa, feita especialmente para tradições festivas e ocasiões especiais. Com o ressurgimento da cultura de proteção às cervejas artesanais no mundo ocidental como um todo, a Sahti não poderia ficar de fora da festa e ganhou, inclusive, um status de proteção geográfica na Europa.

Composta por uma variedade de grãos, cereais maltados e não maltados, incluindo cevada, centeio e aveia, a Sahti atual se distingue bastante por seu aroma que lembra à banana. Embora não leve a fruta tropical em sua composição, esta cerveja nórdica recebe este aroma particular por conta do acetato de isoamilo liberado pela levedura durante o processo de alta fermentação (Ale).

Um dos processos atuais mais clássicos na fabricação de uma Sahti é a combinação de infusão de zimbro (árvore facilmente encontrada em território finlandês) ao mosto. Não apenas pedaços do galho, como suas folhas e até mesmo o fruto são adicionados à bebida. O resultado é uma cerveja de tom escuro, similar à cor da Coca-Cola.

Tradicionalmente, tampouco se ferve a bebida em sua confecção e muito menos adiciona-se carbonatação à mistura. Isto porque a Sahti era consumida preferencialmente logo após sua confecção.

Em média, uma boa Sahti possui de 7% a 11% de graduação alcóolica (ABV) – ideal para ser apreciada com a entrada do frio do outono, a ser preferencialmente harmonizada com um bom pescado de águas salgadas.

Se você é do tipo cervejeiro aventureiro que atravessaria o globo inteiro em busca de novos sabores, experimente participar do Campeonato Nacional Finlandês de Sahti, celebrado tradicionalmente há 27 anos na cidade de Sastamala.

Como diriam os finlandeses: kippis! – ou – saúde!

Com informações de: American Homebrewers Association, Munchies (Vice) e Wikipédia

Leia Mais

386

English Ordinary Bitter Ale

Bom de copo, Estilos de Cerveja

12/03/2018

Quando você pensa em Inglaterra, o que lhe vem à mente? Ônibus de dois andares, a rainha Elizabeth (ou Kate Middleton), policiais trajados com os icônicos chapéus felpudos…? Tudo isso também nos soa, mas uma coisa que se sobressai antes de tudo é uma palavra: tradição. No Bom de Copo de hoje, vamos resgatar uma das bebidas mais clássicas e tradicionais daquele país, chamada “English Ordinary Bitter”.

Esta cerveja da família Ale, ou cerveja de alta fermentação, é composta de três irmãos: a Ordinary Bitter, a Special Bitter e a Extra Special Bitter. Da esquerda para a direita, observamos um crescente não só em amargor, como também em teor alcóolico (ABV). Por isso, indicamos uma tradicional Ordinary Bitter inglesa, a mais suave dos irmãos, para um bom dia de verão.

Com até 3,8% de teor alcóolico, uma Ordinary Bitter inglesa é mais “leve” e de menor carbonatação que a maioria das cervejas tipicamente comercializadas em solo nacional. Mas não se deixe enganar apenas por estes aspectos: seu amargor será uma excelente contrabalança e favorável surpresa ao paladar. Segundo a “Beer Judge Certification Program” (BJCP), a organização norte-americana internacionalmente reconhecida por estimular a alfabetização cervejeira, uma Ordinary Bitter varia entre 25 e 35 IBUs (numa escala de 5 a 120) – quase o dobro de muitas cervejas produzidas por aqui.

Já sua coloração varia, em média, entre 4 e 14 SRM (abreviação em inglês para “Método de Referência Padrão”), situando-a na zona das Ales mais claras, também conhecidas como Pale Ales.

Além de sua leveza, amargura e baixa carbonatação, uma tradicional Ordinary Bitter inglesa também é conhecida por seu toque leve caramelizado e com um frutado bem suave. Trata-se, pois, de uma perfeita combinação com um bom prato de frango assado ou um tradicional “Fish and Chips” inglês.

Idealmente, uma Ordinary Bitter inglesa é servida entre 10ºC e 12ºC – algo considerado elevado para o padrão de consumo médio brasileiro. Por isto, antes de se empolgar com o calor do verão e botar a sua inglesa para congelar, siga as instruções do seu produtor. Afinal: não é na hora de servir que um bom inglês irá quebrar uma tradição.

Com informações de Central Brew, Cerveja Monstro, Hominilúpulo e Revista Beer Art

Leia Mais

586

Gostinho do chope bom

Bom de copo, Estilos de Cerveja

19/02/2018

Ah, o verão! Época de sair pelas ruas e aproveitar seus longos dias quentes e noites amenas, regadas a um bom papo, chope e petisco. Mas você já parou para pensar por que um chope é assim tão gostoso e como ele é “tirado”? A pergunta pode parecer absurda, mas por trás desta cremosidade, existe toda uma física complexa que explica o sabor único desta bebida tão amada pelos brasileiros.

Neste outro post aqui, comentamos exatamente qual é a diferença entre o chope e a cerveja. Embora o tema seja um pouco mais complexo do que vem a seguir, devido à adoção de processos de pasteurização atuais, basicamente – mas longe de ser apenas isso – “a cerveja comum passa por um processo de aquecimento seguido por um resfriamento abrupto para eliminar todos os possíveis micro-organismos presentes no líquido, enquanto o chope é servido ‘como veio ao mundo’. Em linhas gerais, mesmo que a cerveja e o chope sejam feitos das mesmas matérias-primas, o fermento do chope se encontra vivo (sim, enquanto você degusta) e o fermento da cerveja morto”.

Esta cerveja viva, não-pasteurizada, fica armazenada em barris e possuem uma vida média de 10 dias. Quando chegam ao bar, estes barris são ligados aos cilindros e às torneiras e lá realizam a sua mágica.

As mangueiras plásticas levam o chope ao pré-resfriador, numa tubulação de aço inoxidável de apenas 5 milímetros. Neste vai e vem metálico, o chope passa literalmente por dezenas de metros (entre 10 e 50) dentro do cilindro envolvido por um líquido resfriado. Em chopeiras mais antigas (ou mais tradicionais), esse líquido resfriado nada mais é do que gelo.

Num esquema texto-visual, temos: um cilindro de gás carbônico controlado por um regulador de pressão, que por sua vez está ligada às serpentinas, válvula extratora e ao barril de chope.

Para os mais aficionados pela mecânica em si, segundo o portal Superinteressante, o chope deve ser tirado a 2,5 kgf/cm². Ou seja: para cada centímetro quadrado, o cilindro deposita o peso de dois quilogramas-força e meio. Trata-se da “medida ideal do empurrão” que o cilindro de gás carbônico exerce sobre o líquido precioso. Já para o colarinho, podemos aumentar um pouco esta pressão para 3,5 kgf/cm² e completar o copo com um charme que só o chope tem.

Mas não se preocupe se a parte matemática não entrar na sua cabeça. A última coisa que o bar vai te pedir é uma lição de casa.

Com informações de: Catira, Mundo Educação e Superinteressante

Leia Mais

455

Rauchbier

Bom de copo, Estilos de Cerveja

23/01/2018

Você já ouviu falar em “cerveja defumada”? Não? Pois bem: apresentamos-lhe a Rauchbier – cuja união das palavras “Rauch” e “Bier”, em alemão significam literalmente “fumaça” + “cerveja”.

Segundo as diversas lendas que circulam por aí sobre a origem desta iguaria, uma em particular é uma história trágica com final feliz. Diz-se que um cervejeiro alemão, pobre na época, sofreu com um incêndio em sua produção de malte e, embora a plantação de cevada estivesse praticamente contaminada com a queima do acidente, este resolveu produzir cerveja com o material que sobrou mesmo assim. Ao contrário do que podia esperar, o líquido caramelo defumado caiu no gosto das gentes, de forma que um novo estilo de bebida seria cunhado a partir de então.

Para além da fantasia, é muito provável que a cevada – que passa por um processo de secagem para se produzir cerveja – tenha se secado em demasia, ou mesmo suscetível às condições de armazenamento numa época em que o fogo era utilizado como forma de secagem em regiões frias, como a própria Alemanha.

Hoje em dia, ao invés de se utilizar as tradicionais lenha e fogueira na produção, tem-se a possibilidade de brasear o malte com combustíveis fósseis em fornos devidamente adaptados para este processo. Outros cervejeiros mantêm-se à tradição e preferem o contato direto da fumaça natural, sem um controle tão rígido sobre a dessecação.

Nos quesitos mais técnicos, esta Lager possui um gosto característico defumado, de cor caramelo escuro a negro e deve ser servida, preferencialmente, entre 5 e 7 graus positivos num copo tipo caneca. Ao contrário do que o senso comum possa presumir, uma Rauchbier em geral não é tão amarga quanto parece: numa escala de 0 a 120 em IBU (em português Unidade Internacional de Amargor), este tipo de cerveja varia entre os 20 e 30 pontos – um valor nada fora da média, abaixo, por exemplo, de uma IPA tradicional.

Como diria o velho ditado: onde há fumaça, há cerveja.

Leia Mais

806

Oud Bruin – Uma Senhora Belga

Bom de copo, Estilos de Cerveja

30/10/2017

Nascida no século XVII, esta quatrocentona da região de Flandres, no norte da Bélgica, surgiu com um propósito: testar a paciência dos jovens. Por ser uma cerveja de maturação lenta, seu processo de fermentação pode levar semanas, seguido de meses de envelhecimento após seu engarrafamento. Entre confeccioná-la e prová-la, o brinde pode demorar até um ano inteiro. Também conhecido como Flanders Brown Ale em inglês, o estilo Old Bruin – que significa literalmente “velho marrom”, em português – faz parte da família das cervejas de alta fermentação, mas é mais conhecido pelo seu sabor ácido, ligeiramente “azedo”, graças aos processos naturais que esta bebida enfrenta ao longo de sua vida. Contrárias à prima Flanders Red (Flandres Vermelha) que é envelhecida em barris fechados de carvalho, as “velhas marrons” ganham corpo em recipientes abertos. O produto a ser maturado ainda pode sofrer modificações antes de ser engarrafado – como por exemplo a mistura de ingredientes, como ervas e outras bebidas – caracterizando-se como uma cerveja, por vezes, híbrida. De coloração marrom-escura, com uma espuma firme e aroma doce, é possível encontrar uma Old Bruin entre 4% a 8% de álcool (ABV). A bebida harmoniza com queijos mais fortes e é ideal para ser consumida num dia de calor – uma vez que sua acidez garante ainda mais a sensação refrescante. Se pararmos para pensar, realmente vale a pena esperar. Pois como dizia o ditado: idade e experiência valem mais do que a adolescência. Com informações de: Beer Advocate, Destino CervejeiroWikipédia  

Leia Mais