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Bom de copo
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Gose – uma cerveja ressurgida das cinzas

Bom de copo, Histórias da Cerveja

17/12/2018

Poucas cervejas no planeta possuem uma história tão particular e cheia de reviravoltas como as do estilo Gose. Uma sobrevivente em meio à Europa do século XIX e XX, as cervejas do estilo Gose são também uma espécie de prima rebelde, pois não seguiam a Lei da Pureza da Baviera (Reinheitsgebot), promulgada em 1516 pelo duque Guilherme IV da Baviera.

A Gose é considerada uma especialidade da região de Goslar, da Baixa Saxônia, na Alemanha – lugar este que acabou cunhando o nome da cerveja. A Baixa Saxônia, junto com o norte da Alemanha, a Bélgica e atuais Países Baixos acabaram se especializando nas cervejas de trigo ácidas e embora compartilhem um tronco em comum, é importante não confundir esta bebida com a Gueuze belga.

Com um sabor inconfundivelmente salgado, mas ao mesmo tempo azedo e pouco lupulado, a Gose alemã se vira totalmente de costas à Lei da Pureza da Baviera ao adicionar sal e coentro em sua confecção. Com malte de trigo não filtrado e um teor alcoólico que varia entre 4% e 5% ABV, diz-se que esta bebida se manteve viva graças à tradição oral familiar europeia, onde cada família possuía a sua receita e toques específicos.

Originalmente, lá por volta do século 18, as Gose eram produzidas através da fermentação espontânea, mas este processo foi sendo substituído pelo uso de fermentos e bactérias lácticas no século seguinte. Mesmo em Leipzig, cidade importante onde se popularizou a bebida, a Gose nunca gozou de um status elevado. Um dos principais motivos era o seu custo-benefício, geralmente baixo para uma bebida que vinagrava rapidamente se não consumida a tempo.

Preço alto, pouca demanda e vida curta: não bastou uma, mas duas Grandes Guerras Mundiais em solo europeu no século XX para praticamente eliminar este estilo de cerveja da face da terra. Em 1966, com a morte de Guido Pfniser, considerado o último produtor de Gose na Alemanha, nunca mais se ouviria falar desta bebida se não fosse por Lothar Goldhahn.

Um entusiasta dos bons tempos cervejeiros da Alemanha pré-Guerras, Lothar Goldhahn revitalizou um dos principais e mais tradicionais bares de Leipzig, o Ohne Bedenken. Com a ajuda de um antigo funcionário que possuía partes da receita da Bose em mãos e de uma outra cervejaria baseada em Berlim, Goldhahn conseguiu reavivar um estilo praticamente morto em todo o mundo nos anos 1980.

Hoje, com um status de “fênix das bebidas” e um bom público amante de cervejas especiais em todo o mundo, sobretudo na Europa e Estados Unidos, uma cerveja Gose pode ser encontrada ao redor de todo mundo para deleite nosso e dos ancestrais saxões.

Com informação de: Brejas, Mestre Cervejeiro, O Cru e o Maltado, Price Beer e Wikipédia

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Do outro lado do mundo: Cerveja de Arroz Japonês

Bom de copo, Histórias da Cerveja

26/11/2018

A regra é clara: de acordo com a Lei da Pureza Alemã, promulgada pelo duque Guilherme IV da Baviera em 1516, a cerveja deve conter apenas água, malte de cevada e lúpulo, correto? Mas, como dizem por aí, as regras são feitas para serem obedecidas e às vezes, quebradas. Por isso não é de se estranhar que, do outro lado do mundo, os japoneses resolveram contornar esta lei medieval alemã e criaram a cerveja de arroz.

Base da tradicional dieta nipônica – conhecida como “washoku” em japonês que entrou na lista do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2013 –, o arroz presente no sushi forma parte da história do Reino do Sol Nascente desde seus tempos mais primordiais. Não é de se estranhar, portanto, que o país produza bebidas alcóolicas à base desse grão, como o famigerado saquê e, por que não, a própria cerveja.

Embora os atuais japoneses dependam cada vez menos do arroz para se alimentarem e prefiram integrar a sua dieta a um mundo globalizado, com outras tantas ofertas de cozinhas internacionais à sua disposição, a tradição e a inovação são duas características clássicas do Japão do século XX e XXI. De acordo com o portal G1, pela abundância do grão e com o intuito de diminuir os níveis de proteína do malte, o arroz passou a ser utilizado na confecção da cerveja japonesa já no século XIX e, com o advento da Segunda Guerra Mundial e a diminuição da produção de cevada, esta curiosa alternativa se tornou cada vez mais presente no copo dos japoneses.

Por ter pouco apreço no mercado internacional e estar relacionada a uma produção mais econômica, as cervejas de arroz nem sempre são bem vistas pelos cervejeiros mundo afora. Mas não se deixe enganar: existem boas opções no mercado que contêm arroz em sua composição. O governo japonês é rígido em relação aos processos industriais: é necessário no mínimo 67% de malte para que a bebida seja considerada uma biru, isto é, cerveja.

Da panela para o copo, uma típica lager de arroz poderá surpreendê-lo(a) por sua suavidade e aspecto dourado brilhante, perfeito para um dia quente de verão que já está batendo na porta do brasileiro neste fim de ano.

Aprenda com um dos povos mais longevos deste planeta e abrace as diferenças na hora de curtir uma gelada. Quem sabe a cerveja de arroz não entra de vez no seu cardápio e faça parte da sua própria lei da pureza comemorativa?

Com informação de: Beeriety, Japan Beer Times, Portal G1, Sushibilidade e Wikipédia

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Scotch Ale: A Poderosa Escocesa

Bebidas, Bom de copo, Histórias da Cerveja

22/10/2018

Era uma vez um país muito frio e chuvoso, em que boa parte do ano as terras desse lugar estão cobertas por uma fina capa de água intermitente, quando não tomadas pela fria geada e meses de neve. Nesta região dominada pelo verde musgo do solo sempre molhado, muitos homens e mulheres tentaram extrair o melhor da terra para a confecção de uma cerveja única e saborosa. Senhoras e senhores: bem-vindos à Escócia.

Com a impossibilidade de se cultivar um lúpulo de boa qualidade, as populações do norte do Reino Unido ou importavam a matéria-prima de regiões mais quentes do globo ou restringiam o uso do lúpulo com o resto útil que lhes sobrava em mãos. Não à toa, as Scotch Ales são conhecidas por seu baixo teor de amargor e um sabor acentuado puxado para o malte e o caramelo. Originalmente, este malte ligeiramente marrom foi sendo substituído ao longo do tempo pelo malte tostado e pela cevada não-maltada para preservar a sua coloração marrom-cobreada original.

Divididas em quatro subcategorias gerais, que variam da menor à maior densidade e graduação alcoólica, os subtipos recebem o nome da antiga medida de preço (e qualidade) utilizada no século XIX para um barril da bebida comercializada. A medida descrita com o símbolo de uma barra e um sinal negativo indicam quantos schillings, ou frações libra não-decimais, cada barril valia. São elas: Scotch Ale light 60/-, ou leve, com teor alcoólico de até 3,5% ABV; heavy 70/-, ou pesada, com teor alcoólico entre 3,5% e 4% ABV; export 80/-, ou exportação, com teor alcoólico entre 4% e 5,5% ABV e Strong Scotch Ale, ou forte, também conhecida como wee heavy, com teor alcoólico acima de 6% ABV.       

Pelo fato das Strong Scotch Ale possuírem geralmente, mas não obrigatoriamente, um tempo maior de fervura, a caramelização dos açúcares do mosto e o aumento da densidade do mesmo geram uma cerveja mais doce e ao mesmo tempo mais alcoólica. Por isso, recomenda-se harmonizar uma Strong Scotch Ale com carnes mais intensas, como carne de cordeiro e javali ou sobremesas não tão açucaradas.

Um brinde às terras altas!

Com informações de: BJPC, Cerveja Magazine, Cerveza Artezana, Goronah e Wikipédia

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Framboise

Bom de copo, Histórias da Cerveja

24/09/2018

Numa pequena região a oeste de Bruxelas, capital da Bélgica, situa-se o lar de um importante – porém não tão conhecido – estilo de cerveja chamado Framboise ou Frambozen. Tanto em francês quanto em flamengo (as duas línguas oficiais deste país europeu) ambas as palavras significam o mesmo: framboesa.

Muito antes dos produtores de cerveja se utilizarem do lúpulo como aditivo de sabor à bebida, uma série de frutos e vegetais eram adicionados às cervejas de estação. E foi com base na framboesa que esta cerveja de trigo, de fermentação espontânea, ganhou seu destaque no mercado internacional.

Segundo o portal Beer & Brewing, a base desta cerveja lambic é de 30% a 40% de trigo combinados com 60% a 70% de cevada maltada. De acordo com o mesmo portal, “todo o lúpulo utilizado nesta produção de lambic é envelhecido intencionalmente com a finalidade de diminuir o óleo aromático e o iso-alfa-ácido, reduzindo o aroma do lúpulo e seus componentes de amargor”.

Durante seu processo de fermentação, o mosto é transferido a barris de carvalho e posteriormente passam por um processo de envelhecimento que pode durar até um ano. Após este longo período, adiciona-se então as framboesas para uma segunda etapa de envelhecimento que pode durar de um mês a outro ano inteiro, dependendo da demanda do produtor.

A composição de frutos verdadeiros ou xaropes de framboesa, além da adição de adoçantes naturais (ou não) varia de produtor a produtor. Por se tratar de uma bebida tipicamente seca e por muitas vezes considerada “azeda”, houve já o tempo em que açúcar era oferecido junto ao cliente para adoçar, a sua maneira, esta inusitada cerveja lambic.

Com um aroma inconfundível de framboesa, esta cerveja apresenta, em geral, uma coloração clara (entre 0 e 10 IBUs), medianamente encorpada e levemente ácida nas bebidas mais jovens. Ideal para ser servida a 7ºC, num copo lambic estilo flauta, esta iguaria europeia acompanha bem sobremesas de chocolate, sorvetes e caviar. Mais fino que isso, impossível!

 

Com informações de: BJCP, Beer & Brewing Magazine e Merchant du Vin

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Linguagem Cervejeira

Bom de copo, Estilos de Cerveja

10/09/2018

Gostar de cerveja todo mundo gosta, mas dentre as milhares de variedades no mundo desta bebida, sempre tem aquela que cativa mais o nosso coraçãozinho, que o faz bater mais forte quando provamos a nossa cerveja favorita novamente. Por isso, não é apenas uma questão de gostar de cerveja, é necessário também saber falar a linguagem da bebida, decifrar os seus códigos e segredos e aprimorar, cada vez mais, a nossa paixão pelo assunto.

Dentre as principais medidas classificatórias utilizadas hoje em dia, o mundialmente famoso programa norte-americano de formação e certificação de juízes cervejeiros, ou Beer Judge Certification Program (BJCP), em inglês, conta com mais de 7.500 profissionais do assunto e possui um incrível histórico de quase 1 milhão e 500 mil cervejas desde a sua fundação, em 1985.

Por motivos de orientação e organização, o BJCP passou a examinar as cervejas dentro de cinco estatísticas vitais (Vital Statics) a fim de agrupá-las em subgrupos posteriores. Estas cinco estatísticas vitais são:

  1. ABV – Alcohol by Volume – ou Álcool por Volume – se refere ao percentual total de álcool na bebida. Considera-se uma cerveja de baixo teor alcoólico entre 0,5% e 2,0%; de médio teor alcoólico entre 2,0% e 4,5% e alto teor alcoólico a partir de 4,5%.
  2. OG – Original Gravity – Gravidade Original ou Densidade Original do Mosto – se refere à quantidade de substâncias fermentáveis e não fermentáveis, também conhecida como “massa seca”, presente no mosto da bebida, antes de ela ir à fermentação. Em países como a Alemanha e a Suíça, a base de cálculo do imposto da bebida varia de acordo com a densidade original do mosto.
  3. FG – Final Gravity – Gravidade Final – se refere à quantidade de substâncias não fermentáveis presentes após a fermentação da bebida.
  4. IBU – International Bitter Units – Unidade Internacional de Amargor – classifica a quantidade de iso-alfa-ácido por litro de bebida, conferindo-a um grau menos ou mais amargo. Ela pode variar de 0 a 120, sendo 0 nada amargo e 120 extremamente amargo.
  5. SRM – Standard Reference Method – Método de Referência Padrão – diz respeito à cor da cerveja, podendo variar de 0-2 (cervejas ultraclaras e amareladas) a 40 graus ou mais com as Black IPAs.

Na próxima vez que você tomar uma cerveja que agrade o seu paladar, faça a lição de casa e tome nota destes cinco principais fatores vitais. Quem sabe assim você não começa a desenvolver a sua própria biblioteca de bebidas favoritas e encontrar, em qualquer canto do planeta, uma cerveja para chamar de sua?

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Roggenbier – A Cerveja de Centeio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

30/07/2018

Assim como a Fênix que ressurgiu das cinzas, a Roggenbier é um tipo de cerveja que praticamente desapareceu da face da Terra durante cinco séculos e retornou com força em pleno século 21. Além disso, ela é a nossa candidata favorita à representante da exótica categoria de cervejas de centeio.

Segundo a Wikipédia, até o século 15 na Alemanha era comum a utilização do malte de centeio para a confecção de cerveja. No entanto, com o advento da Lei da Pureza da Cerveja (ou Reinheitsgebot, em alemão), promulgada pelo duque Guilherme Quarto da Baviera em 1516, estipulou-se naquela região da Europa que a cerveja deveria ser feita exclusivamente a partir de água, malte de cevada e lúpulo. Neste caso, o centeio ficou exclusivamente dedicado à confecção de outros alimentos, como pães e massas.

Hoje em dia, com a libertação da Lei da Pureza da Cerveja e o resgate à memória de antigas tradições em bebidas, a Roggenbier ressurgiu para ficar. Trata-se de uma cerveja cuja composição do malte tem, em média, pelo menos 50% de centeio.

Segundo o portal Beer Judge Certification Program, referência mundial na catalogação e promoção do conhecimento sobre cerveja, a Roggenbier é uma bebida medianamente encorpada, de alta carbonatação, cuja cor varia de um laranja acobreado a um marrom claro – entre 14 e 19 SRM – e possui, em média, entre 4,5% e 6% porcentagem alcóolica.

Para fugir um pouco das convencionais cervejas de cevada e de trigo, experimente hoje uma Roggenbier e deixe os seus comentários sobre a sua experiência abaixo.

Com informações de: Beer Judge Certification Program, Winning Home Brew e Wikipédia

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Cerveja: Uma Deusa do Antigo Egito

Bom de copo, Histórias da Cerveja

05/07/2018

Tenenit – deusa egípcia da cerveja, intimamente associada à Meskhenet, deusa do parto e protetora das casas de parto – deriva seu nome de tenemu, uma das palavras do antigo egípcio para “cerveja”. A cerveja mais popular no Egito era a Heqet (ou Hecht), uma fermentação com mel e os trabalhadores do planalto de Gizé recebiam três porções da bebida por dia. Em geral, a cerveja era comumente usada no antigo Egito como recompensa pelo trabalho – o nosso chamado salário.

Os egípcios acreditavam que a confecção de cerveja fora ensinada aos seres humanos através do próprio grande deus Osiris e, por conta disso, eles tinham a mesma visão sobre a cerveja que os povos mesopotâmicos, isto é: uma bebida sagrada. Assim como na Mesopotâmia, as mulheres foram as primeiras mestres-cervejeiras do antigo Egito a confeccionar a bebida em suas próprias casas. Naquele tempo, a cerveja possuía a mesma consistência e passava pelo mesmo processo dos povos mesopotâmicos. Como resultado, a bebida era um líquido grosso, com consistência de mingau. Posteriormente, os homens tomaram o controle da confecção.

Hoje em dia, temos o registro do trabalho de uma antiga cervejaria egípcia através de pequenas figuras esculpidas em miniatura, encontradas na tumba de Meketre – o Primeiro Ministro do faraó Mentuhotep II que governou de 2050 a 2000 a.C. Segundo descrição do Museu Metropolitan da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, “o superintendente, munido com um bastão, fica na porta do local. Na cervejaria, duas mulheres moem farinha com a qual um outro homem a transforma em massa. Um terceiro homem separa pedaços da massa e a arremessa sobre uma grande panela para a fermentação. Após a fermentação, o líquido é despejado em jarras redondas e tampado com uma rolha de argila preta”.

A cerveja desempenhou um papel fundamental no popularíssimo mito, na época, sobre o nascimento da deusa Hathor. De acordo com a lenda – que muito se assemelha aos contos pré-bíblicos do grande dilúvio do Gênesis –, o deus Ra, irado com a maldade e a ingratidão da humanidade, envia Sekhmet à Terra para destruir sua criação. Conforme a sede de Sekhmet por sangue só aumenta a cada vila e cidade por onde destrói, o deus Ra acaba se arrependendo de sua decisão. Ele então tinge uma enorme quantidade de cerveja de vermelho e Sekhmet, achando que a bebida se tratava de sangue, pára sua matança por um momento e sorve o líquido. Ela acaba ficando bêbada, cai no sono e acorda sob a forma da deusa Hathor – a deidade benevolente da música, do riso, dos céus e, sobretudo, da gratidão.

A associação entre cerveja, gratidão e Hathor ganhou um destaque numa escritura encontrada do ano 2200 a.C. em Dendera, templo de culto à Hathor. Nela se diz: “a boca de um homem perfeitamente contente está cheia de cerveja”. A cerveja era aproveitada com tanta frequência pelos antigos egípcios que a Rainha Cleópatra VII, governante de 69 a 30 a.C, perdeu popularidade no final do seu reinado por justamente aumentar os impostos sobre a bebida pela primeira vez na história de seu povo, repetindo o feito mais tarde para pagar o custeio de uma guerra com Roma.

Naqueles tempos, a cerveja era frequentemente prescrita para fins medicinais (havia pelo menos 100 remédios à base de cerveja) e os impostos eram considerados injustos.

— Trecho do artigo “Cerveja na Antiguidade” (Beer in the Ancient World), escrito por Joshua J. Mark, editado e traduzido direto do inglês sob licença de reprodução Creative Commons —

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Bom de Frio

Bom de copo, Estilos de Cerveja

19/06/2018

Ah, o inverno! Época de desempacotar todos aqueles casacos, cachecóis, meias de lã e mantas guardadas do ano passado. Embora o inverno comece oficialmente nesta quinta-feira, dia 21 de junho, é hora de se preparar para encarar a estação mais charmosa do ano de um jeito leve e divertido. Como? Com uma boa cerveja, é claro.

Uma boa dica para quem quiser manter o espírito cervejeiro durante esta não-tão-agradável temporada de frio é escolher como sua companhia de mesa uma bebida mais encorpada. Em geral, mas não exclusivamente, cervejas inglesas do tipo Ale cumprem bem este papel. Além de se recomendar servi-las numa temperatura ambiente – aqui, diga-se de passagem, ambiente da Inglaterra, também conhecido como inverno no Brasil –, as cervejas inglesas Ale irão também harmonizar com refeições mais pesadas, que envolvam algum tipo de assado ou grandes quantidades de massas. E como ninguém pretende tirar a roupa para ir à praia tão cedo, é hora de aproveitar as calorias extras para mergulhar num mundo sensorial dos prazeres sem culpa, mas com muito sabor.

Começando pela menina dos olhos, a queridinha entre os cervejeiros, a famosa Indian Pale Ale (IPA) é mundialmente reconhecida por seu forte amargor, leve sabor frutado e um refrescante toque cítrico. Servida idealmente numa temperatura entre 7ºC e 10ºC, uma IPA combina com uma boa carne em cocção a fogo lento e harmoniza bem com uma comida mais picante. Além de ser uma combinação quente, o alto teor do lúpulo irá suavizar os efeitos da pimenta em sua boca, garantindo uma boa experiência invernal, sem maiores efeitos colaterais.

A nossa segunda recomendação é a cerveja estilo Porter. Esta velha inglesa, cujo nome de batismo advém da região portuária do Atlântico Norte, reflete sua história numa mistura de orgulho e força. Durante os meses de inverno, a classe trabalhadora dos portos da Irlanda e da Inglaterra optava por uma bebida mais robusta, porém geralmente mais equilibrada em amargor, se comparada a uma IPA. Vale a pena comprar um tradicional pint inglês e brindar como um bom marujo. Idealmente servida entre 7ºC e 10ºC, uma Porter pode até ser um pouco difícil de se encontrar por aí, mas uma coisa afirmamos: vale a pena.

Já se o seu negócio é mergulhar de cabeça numa aventura etílica pra lá de tradicional, convidamos-lhe a vestir a sua melhor roupa para ir à missa e saborear uma Doppelbock.

Criação divina dos monges de São Francisco de Paula da Baviera, Alemanha, esta cerveja é também conhecida como “o pão líquido”, outrora servida especialmente durante os tempos de jejum de alimentos sólidos entre os religiosos. Impenetravelmente escura, assustadoramente alcóolica (entre 7% e 12% ABV) e riquíssima em sabor, você não precisa fazer nenhum voto de castidade para poder deliciar-se com esta maravilha: basta uma geladeira regulada entre 8ºC e 12ºC, um belo assado de porco no forno e um charmoso copo tulipa na mão.

Com uma destas três companhias, certamente você vai se sentir abraçado pelo calor de uma boa e tradicional cerveja, quem sabe até desejando que esta fria temporada se prolongue mais um pouquinho…

Com informações de: Beer& Brewing Magazine, The Pruce Eats

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Tudo vai bem com uma IPA na mão

Bom de copo, Estilos de Cerveja

21/05/2018

Verdade seja dita: a IPA é a menina dos olhos quando o assunto é cerveja. Diríamos que 9 em cada 10 cervejeiros a recomendam, enquanto 1 deles finge não gostar. Por detrás desta estatística 100% imprecisa residem alguns fatores importantes, que tornam a Indian Pale Ale tão popular entre os apreciadores da bebida: aroma, corpo e sabor. E isso, a IPA tem de monte.

Como comentamos neste post anterior, seu amargor acentuado e ligeiramente frutado, em decorrência dos cereais e estéreis utilizados, fazem com que alguém que nunca tenha tomado uma IPA antes não se esqueça tão fácil desta primeira experiência. Por isso, que tal trazer um cervejeiro novato para o lado luminoso da Força e impressioná-lo de uma vez por todas com um belo menu degustação que harmonize com a sua IPA?

O roteiro é clássico e não parece ser muito difícil de se lembrar: uma cerveja mais encorpada e forte acompanhará uma comida igualmente mais pesada e forte. Especificamente no caso da IPA, por conta de seu alto teor de lúpulo e amargor, além de um bom grelhado ou receitas que envolvam uma cocção em fogo lento, recomenda-se harmonizar esta bebida com uma comida mais picante. Não se preocupe: justamente o alto teor de lúpulo irá ajudar a diminuir a sensação do picante em sua boca.

Com a eminencia do inverno, mas com belas tardes de sol neste outono, uma boa carne assada e uma IPA na mão serão pedidas excelentes. Descubra as nuances e os sabores da sua própria bebida predileta ao combiná-la com uma comida que lhe traga uma memória afetiva. A sensação é de redescobrir um terreno que você pensava já estar dominado, com novos sabores e sensações.

Além da mencionada carne assada acima, comidas quentes como pimentão recheado, nachos e tortilhas mexicanas, curry de carne com batatas e um salmão grelhado são ideais para acompanhar a sua IPA.

Saúde… e bom apetite!

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Kölsch

Bom de copo, Estilos de Cerveja

24/04/2018

Você é do tipo que adora carimbar seu passaporte pelo mundo e sempre arranja uma boa desculpa para dar uma escapulida para algum lugar exótico, fora da rota turística? Você também é do tipo que aprecia uma boa cerveja e está sempre disposto(a) a conhecer uma variedade nova desta rica cultura? Então venha conosco, pois hoje embarcaremos para Colônia, na Alemanha.

Para além da tríade mais conhecida pelos turistas brasileiros – Berlim, Hamburgo e Munique – a cidade de Colônia possui uma história repleta de cicatrizes deixadas pelas duas grandes Guerras Mundiais, mas também uma linda arquitetura e rica cultura pautada na superação destes tempos difíceis.

Foi em 1906 que a cervejaria Sünner resolveu resgatar uma antiga técnica de fermentação outrora deixada para trás havia alguns séculos, na qual a bebida era fermentada a temperaturas mais elevadas (entre 13ºC e 21ºC) e posteriormente armazenadas em temperaturas mais baixas. Embora não fosse o sucesso de vendas e a queridinha da região naquele início de século XX, tanto a cervejaria quanto esta bebida, batizada posteriormente de “Kölsch”, conseguiram sobreviver os bombardeios da Segunda Guerra. Para se ter uma ideia da “sorte”, das mais de quarenta cervejarias que havia em Colônia, apenas duas seguiram em pé.

Antes tarde do que nunca, a fama viria a chegar mesmo nos anos 1980, com um aumento repentino de vendas das cervejas Kölsch em mais de 500% em menos de uma década. Conscientes do ouro líquido que tinham em mãos, foi em 1986 que 24 cervejarias de Colônia se associaram na “Convenção de Kölsch” e batizaram oficialmente este estilo único de produção, filho autêntico coloniano.

Visualmente, trata-se de uma cerveja clara (entre 3 e 6 SRM), com leve amargor (entre 18-28 IBU) e com graduação alcóolica que varia de 4,8% a 5,3 ABV. Segundo o portal norte-americano “Beer Judge Certification Program”, referência mundial no assunto, “um aroma delicado de fruta, produto da fermentação, será melhor percebido do que o aroma do malte”. Sugere-se, também, que a cerveja Kölsch seja preferencialmente consumida entre 4,5ºC e 7ºC num copo alto, cilíndrico e fino – conhecido também como Stange ou Kölsch glass.

Para um estilo que sobreviveu verdadeiramente a inúmeros percalços da História, respeito e tradição por esta cerveja é um tema de orgulho em Colônia. Por isto, se você der um pulinho pela região da Renânia do Norte-Vestefália e quiser se enturmar com o povo local, pergunte se eles servem Kölsch. Você certamente será recebido com outros olhos.

Com informações de: Craft Beer, Kegerator e Wikipédia

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