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Comentários (0) Bom de copo, Histórias da Cerveja

Cerveja: Uma Deusa do Antigo Egito

Tenenit – deusa egípcia da cerveja, intimamente associada à Meskhenet, deusa do parto e protetora das casas de parto – deriva seu nome de tenemu, uma das palavras do antigo egípcio para “cerveja”. A cerveja mais popular no Egito era a Heqet (ou Hecht), uma fermentação com mel e os trabalhadores do planalto de Gizé recebiam três porções da bebida por dia. Em geral, a cerveja era comumente usada no antigo Egito como recompensa pelo trabalho – o nosso chamado salário.

Os egípcios acreditavam que a confecção de cerveja fora ensinada aos seres humanos através do próprio grande deus Osiris e, por conta disso, eles tinham a mesma visão sobre a cerveja que os povos mesopotâmicos, isto é: uma bebida sagrada. Assim como na Mesopotâmia, as mulheres foram as primeiras mestres-cervejeiras do antigo Egito a confeccionar a bebida em suas próprias casas. Naquele tempo, a cerveja possuía a mesma consistência e passava pelo mesmo processo dos povos mesopotâmicos. Como resultado, a bebida era um líquido grosso, com consistência de mingau. Posteriormente, os homens tomaram o controle da confecção.

Hoje em dia, temos o registro do trabalho de uma antiga cervejaria egípcia através de pequenas figuras esculpidas em miniatura, encontradas na tumba de Meketre – o Primeiro Ministro do faraó Mentuhotep II que governou de 2050 a 2000 a.C. Segundo descrição do Museu Metropolitan da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, “o superintendente, munido com um bastão, fica na porta do local. Na cervejaria, duas mulheres moem farinha com a qual um outro homem a transforma em massa. Um terceiro homem separa pedaços da massa e a arremessa sobre uma grande panela para a fermentação. Após a fermentação, o líquido é despejado em jarras redondas e tampado com uma rolha de argila preta”.

A cerveja desempenhou um papel fundamental no popularíssimo mito, na época, sobre o nascimento da deusa Hathor. De acordo com a lenda – que muito se assemelha aos contos pré-bíblicos do grande dilúvio do Gênesis –, o deus Ra, irado com a maldade e a ingratidão da humanidade, envia Sekhmet à Terra para destruir sua criação. Conforme a sede de Sekhmet por sangue só aumenta a cada vila e cidade por onde destrói, o deus Ra acaba se arrependendo de sua decisão. Ele então tinge uma enorme quantidade de cerveja de vermelho e Sekhmet, achando que a bebida se tratava de sangue, pára sua matança por um momento e sorve o líquido. Ela acaba ficando bêbada, cai no sono e acorda sob a forma da deusa Hathor – a deidade benevolente da música, do riso, dos céus e, sobretudo, da gratidão.

A associação entre cerveja, gratidão e Hathor ganhou um destaque numa escritura encontrada do ano 2200 a.C. em Dendera, templo de culto à Hathor. Nela se diz: “a boca de um homem perfeitamente contente está cheia de cerveja”. A cerveja era aproveitada com tanta frequência pelos antigos egípcios que a Rainha Cleópatra VII, governante de 69 a 30 a.C, perdeu popularidade no final do seu reinado por justamente aumentar os impostos sobre a bebida pela primeira vez na história de seu povo, repetindo o feito mais tarde para pagar o custeio de uma guerra com Roma.

Naqueles tempos, a cerveja era frequentemente prescrita para fins medicinais (havia pelo menos 100 remédios à base de cerveja) e os impostos eram considerados injustos.

— Trecho do artigo “Cerveja na Antiguidade” (Beer in the Ancient World), escrito por Joshua J. Mark, editado e traduzido direto do inglês sob licença de reprodução Creative Commons —

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